quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Natal no ano

Celebrações em cunho espiritual contribuem para espiritualizar a consciência

Houve uma época há alguns anos, em que eu era assaltado por uma certa depressão nos dias anteriores ao Natal.  Dizem que é um mal que aflige um número considerável de pessoas.  Mas isso não me consolava.  Quanto mais próximo do Natal, mais forte era a sensação de desgosto.

Como Cristão devoto e estudioso dos assuntos bíblicos, essa tristeza pré-natalina não era  coerente com a expectativa de alegria que a comemoração da data enseja.  Como Cristão sabia também onde buscar um antídoto para esse peso de consciência.  Como Cientista Cristão meu procedimento foi o de buscar um entendimento claro do que realmente era envolvido.  O Mestre Cristão, Jesus Cristo, nos assegurou que quem nele cresse, conheceria a verdade, e “...a verdade”, disse, “vos libertará”.  Então, a verdade era o antídoto que eu deveria buscar e empregar.

Uma análise compenetrada revelou-me que a razão de minha tristeza radicava no excessivo materialismo que eu via ao redor de mim, e que se acentuava com a aproximação da data do Natal.  “Como não percebem as pessoas”, perguntava-me, “que o Natal tem que ser celebrado pelo seu valor espiritual, intrínseco à natureza da vida e da mensagem do Cristo?  Que barbaridade!”  Continuando com minha auto-análise, percebi que sempre que me concentrava no “barbarismo” materialista demonstrado generalizadamente, minha tristeza aparecia;  e sempre que aplicava o pensamento aos valores espirituais que o “menino de Belém” veio trazer à humanidade, meu pensamento era alegre.

Quando o processo mental esclareceu minha situação, entendi que minha sensibilidade humana ao modo mundanístico de festejar o Natal, em vez de celebrá-lo condignamente, não deveria empanar o brilho de minha sensibilidade espiritual aos valores espirituais.  Cada indivíduo tem sua responsabilidade no modo de conduzir a vida. Foi essa a lição que Jesus passou a Pedro ao dizer-lhe enfaticamente:
 “que te importa a ti?  Segue-me tu(João 21:22).

 O que eu precisava realmente era cuidar em que minha valoração da data natalina não fosse materialística, mas sim fosse compatível ao que havia aprendido desde criança. O valor ou importância do dia de Natal, não está apenas na história de um menino, mas muito mais na vida e exemplo de Cristo Jesus, nas suas palavras e nos seus atos, na renovação mental e espiritual que trouxe aos homens e na promessa de libertação de todos os males da humanidade.

Homens e mulheres, velhos e crianças, negros e brancos ou amarelos, ricos e pobres, analfabetos e letrados, empregados e desempregados, de qualquer geografia ou origem, todos podem aprender a conhecer e aplicar as lições da Ciência do Cristianismo trazida ao nosso mundo por aquele que reconheceu sua filiação divina, e, por extensão, a nossa.  Não foi ele quem nos ensinou a orar “Pai Nosso...” - Pai de todos?

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PONTO METAFÍSICO:
Hoje me rejubilo com o Natal e o que ele significa, e isso não é só para um dia, mas para todos os dias do ano.  Diariamente estudo na Bíblia e na literatura da Ciência Cristã o Cristianismo prático que Jesus Cristo legou a todos nós; e quando ponho em prática esse estudo vejo cristalizada a atualidade das palavras do Mestre:

 “...aquele que crê em mim, fará também as obras que eu faço.” (João 14:12)

Ver a promessa de Jesus realizar-se hoje em dia, não é motivo de orgulho pessoal, mas de alegria íntima pela fidelidade das palavras de Jesus Cristo.  “Aquele que crê em mim” refere-se a todos os tempos e lugares; é, pois, normal que os cristãos de hoje se incluam entre os que crêem.  E aquele que crê com a fé que o Mestre demonstrou e exigiu de seus seguidores, “fará também as obras” que ele fez.  Isso não é exclusividade de qualquer denominação ou igreja.  A condição é para o indivíduo crer, e então realizar as obras (curas e etc). A mera tradição humana na época de Natal (árvores, ceias, presentes,...) não contribui em nada para a espiritualização dos seguidores do Mestre Jesus Cristo. O que importa, sim, é a dedicação aos princípios que ele apregoou: o Filho nada pode fazer de si mesmo; amai-vos cordialmente assim como eu vos amei; amai a Deus com toda vossa força, e sabedoria e entendimento. A menos que emulemos as obras do Mestre em nossas vidas, de nada nos servirá a comemoração e bebemoração festivas na época do fim de ano.

Celebrar o Natal de forma mais espiritual, trouxe alegria para os meus natais, sem que meus familiares ficassem privados de um presente.  Também meus dias do ano são cheios de felicidade.  Não é essa a salvação que o Cristianismo oferece a cada pessoa?

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sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Ajuda importante


Ajuda divina em momentos intrigantes

Fui criado desde a infância dentro dos ensinamentos da Ciência Cristã. Meus pais haviam iniciado seu estudo poucos anos antes do meu nascimento. De modo que era natural na família recorrer a Deus, nosso Pai-Mãe, diante de problemas humanos que variavam desde doenças até hábitos indesejáveis. Por mais relevantes que possam ser os resultados obtidos na solução de problemas de infância, a gente só assimila bem os ensinamentos dessa denominação cristã quando a gente mesmo os aplica. A experiência seguinte passou-se quando eu devia ter uns 12 anos, e foi minha “primeira” experiência própria.

Nossa família havia recebido visita de parentes do interior do Estado, e meus pais resolveram ir com eles assistir um espetáculo circense. A visita de circos à cidade naquela época era esporádica. De modo que ir ao circo era um programa e tanto. Chegando ao local, meu pai tomou conhecimento que o ingresso a menores de 15 anos era proibido. Não restou outra solução senão deixar-me com a chave do carro para poder entrar e dormir até que eles viessem. Entrei no carro, mas não dormi. Ao invés disso, pus a chave na ignição com a intenção de ligar o motor. Que tentação! Por vários minutos lutei entre o querer virar a chave e o não dever. Acabei não fazendo nada. Para espairecer um pouco resolvi ir até o circo, distante cerca de 50m, saber quanto tempo de espetáculo ainda haveria. Tranquei a porta e fui. Na volta deparei com o problema. A porta estava trancada e a chave... estava... lá dentro! E agora?

Tentei abrir algum vidro, mas nenhum cedeu. Mais vezes, e nada. Junto com frustração havia o temor pela zanga de meu pai. Sem outra alternativa, pus-me a orar. Orei muito, até chegar a convicção de que Deus sempre me ajudara, e iria ajudar-me também naquele momento. Nova tentativa de baixar um pouco algum vidro, e já na primeira o vidro cedeu o suficiente para permitir que eu introduzisse o braço e destrancasse a porta. Que alivio e alegria, por ter presenciado a eficácia do poder divino em favor dos filhos de Deus.

Por simples e pequena que possa ser, esta experiência ajudou-me muitíssimo na afirmação dos meus passos na caminhada do Cristianismo científico. Muitas experiências tive depois, e aparentemente mais duras. Mas a primeira ficou indelével na memória, como algo que solidamente demonstrou a infalibilidade da ajuda divina, como diz na Bíblia:

Deus é um socorro bem presente nas tribulações” (Salmo 46:1).

Ao longo das atividades estudantis e acadêmicas o recurso da fé em Deus foi uma constante. Provas, testes e relacionamentos todos tiveram soluções felizes e satisfatórias. A prova mais difícil, e por isso mais gratificante, passei na universidade, quando cursava a segunda série do curso de engenharia. A disciplina Física tinha um professor, tido entre os alunos, mais como filósofo do que físico. Ao longo do ano fui nessa onda, e como os outros alunos, não me dediquei muito ao estudo da matéria; mas enquanto os demais alcançavam notas satisfatórias (às vezes por meios ilícitos), minhas notas deixavam a desejar, com resultado de ter que fazer exames finais por não ter atingido a média 7 durante o ano.

Foi então que começou o drama. Eu não tinha ânimo nem vontade de estudar aquela disciplina. Pegava nos livros a contra-gosto, e qualquer coisa era motivo para desviar-me do estudo. Até o retorno a estudo de violino, cujas aulas havia abandonado havia anos, parecia-me razoável naqueles dias. A aproximação da data do exame aumentava a pressão e o medo. Eu nunca havia rodado em exames, e essa perspectiva parecia muito real dessa vez. Estudei o que pude, repassando uma vez toda a matéria. No domingo que antecedia a data da prova decidi apoiar-me na oração a Deus. Mas por onde começar? Não seria perda de tempo, orar em vez de estudar? Tomei a Bíblia e Ciência e Saúde, marquei a lição bíblica para a semana seguinte, cujo tema não me recordo, e pus-me a estudá-la buscando inspiração e tranqüilidade de pensamento. Nos trechos bíblicos estava incluído o versículo de Provérbios:

“Confia no Senhor de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento.(Provérbios 3: 5)

Essa mensagem foi direta ao coração e acalmou o pensamento. Era a resposta que eu havia procurado desesperadamente. Todo o tempo anterior eu estava fazendo o errado, tentando apoiar-me “no meu próprio entendimento”. Eu só precisava confiar em Deus, a Mente divina, mas confiar sem restrições; entregar-me inteiramente à orientação divina. Quando o peso da responsabilidade de eu ter que saber a matéria me caiu dos ombros, senti-me bem e lágrimas de gratidão ao Pai-Mãe me rolaram na face. Pela primeira vez em meses senti-me preparado para enfrentar o exame.

Fui para a prova confiante. O exame escrito foi de bom resultado. Mas faltava o exame oral diante de uma banca de professores, que seria realizado alguns dias depois. Minha preparação para esse exame restringiu-se a estudo de mensagens da Ciência do Cristianismo. Até me ocorreu, como seria curioso se numa prova de física eu falasse sobre metafísica.  Minha confiança ficou clara ao me decidir levar para a faculdade, não livros de física, mas um Arauto da Ciência Cristã, (na época a edição era trilingüe Espanhol-Português-Italiano). Havia poucos alunos para a prova, e eu fiquei por último por causa da ordem alfabética. Quando me dirigi à mesa, elevei em mão o Arauto, sem nenhuma intenção, e o pus sobre a mesa do professor “filósofo”. Ele se mostrou curioso pela publicação de capa verde e perguntou a respeito dela. Quando viu o nome Ciência Cristã, comentou que uma prima dele havia freqüentado nossa igreja e que ele mesmo conhecera A Igreja Mãe, em Boston, numa de suas visitas. A propósito da oportunidade perguntou-me sobre alguns pontos de nossa doutrina. Discorri então sobre metafísica, num exame de física. Aquele pensamento do dia anterior, fora um anjo que me anunciou o que haveria de ocorrer. Quando o professor se deu por satisfeito, mandou-me ao próximo examinador, com quem tive um bom desempenho. E assim obtive notas mais do que necessárias para passar de ano.

Com tantas demonstrações da presteza do auxílio do Amor divino só posso ser grato a Mary Baker Eddy, por ter trazido à luz e doado à humanidade esse maravilhoso ensinamento de um Cristianismo prático e demonstrável.


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terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Direitos e deveres

A questão dos direitos humanos é discutida em todas as camadas sociais. Emprega-se muita energia em movimentos e aglomerações, em debates e acusações. Ouve-se muitas críticas, às vezes candentes outras vezes redundantes. Prestando-se atenção a qualquer discurso em favor dos direitos humanos, dificilmente se ouvirá referência aos deveres correspondentes. Por que essa ausência, se direitos estão intimamente ligados e dependentes de deveres? O dito popular é verdadeiro: “Quem quer o bônus, tem o ônus”. Qualquer pessoa que queira ser coerente no seu discurso sobre direitos humanos precisará incluir no quadro os deveres humanos.
Assim como não há direitos sem deveres, a recíproca também é verdadeira, não há deveres sem os respectivos direitos deles decorrentes. Quem cumpre seus deveres sociais e pessoais tem direito a reivindicar os benefícios de seu compromisso. A situação ruim na sociedade é quando se fazem reivindicações de direitos sem ter cumprido deveres respectivos. Esse mal não é exclusivo de um país. O que se vê na Europa com a invasão de exilados do oriente médio, é que essas pessoas conhecem suas necessidades que são prementes, mas não raro, pensam que têm direito de reclamar sustento, para quem elas não exerceram o cumprimento de deveres. É um problema social e político mesmo para países desenvolvidos economicamente.
O que ninguém pode esquecer é que o direito de alguém esbarra no direito de outrem. Se caminhoneiros fecham estradas, ou grupos sociais fecham ruas movimentadas na cidade, estão exercendo a liberdade que a autoridade lhes dá para manifestar-se. Mas e o direito de ir e vir dos demais cidadãos, que em geral nada têm a ver com o pleito dos manifestantes? Se eu falo de meus direitos, tenho que saber dos meus deveres, e se falo dos deveres de outros tenho que saber que eles também têm direitos.
A busca do equilíbrio entre essas duas faces do dilema daria ao cidadão equilíbrio emocional, o que, uma vez generalizado, geraria uma sociedade mais equânime e menos beligerante. Cidadãos de todos os níveis econômicos, empregados e empregadores, dirigentes e subordinados, alunos e professores, e assim por diante, buscando o equilíbrio próprio criaria uma sociedade mais justa, interessada em vir ao encontro dos necessitados e estes se empenhando em cooperar dentro de suas possibilidades. Assim veríamos deveres cumpridos e direitos observados.

Precisaríamos de um mundo melhor?!

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Amar de verdade!

Faça dessa regra uma norma de vida!

Quando amamos alguém, este sentimento vem associado a alegria. Gostamos de estar com essa pessoa, nos sentimos felizes com sua presença. Vê-se que amor verdadeiro e alegria são amigos que andam de mãos dadas. Essa interação é intrínseca a esses sentimentos e ocorre de modo fácil e expontâneo. É assim que nos relacionamos com nossos familiares e amigos, colegas e companheiros. Mas tente alguém cumprir a ordem de Jesus:

 “Amai os vossos inimigos. Pois se amardes aos que vos amam, que recompensa tendes?” (Mateus 5: 44, 46).

“Essa não dá para engolir!”, diriam alguns. Mas nosso treinamento em demonstrar o caráter cristão, nos induz a tentar cumprir a ordem do Mestre. Insistir na demonstração cristã é um dos ensinamentos. O que poderia ajudar a cumprir o mandado é um esclarecimento a respeito de quem sejam nossos inimigos. Se pudermos fazer uma distinção entre a pessoa, o ser humano, e as atitudes desse ser, poderá ser mais fácil aplicar a regra do amor aos inimigos. O ser humano é o objeto de nossa afeição, nosso amor; suas atitudes talvez sejam reprováveis; essas não precisamos amar. Nosso amor à pessoa nos capacitará a ajudar a pessoa a desfazer-se ou corrigir as atitudes indesejáveis. Nosso motivo de assim agir é um sentimento de amor.

Nossos inimigos, nem sempre o são; não raro é nosso conceito a respeito deles que nos faz inimigos. Por exemplo, relações familiares estremecidas por erros morais, às vezes antigos, são capazes de impedir uma aproximação de duas pessoas que deveriam no mundo serem próximas e amigas, ambas merecendo o amor e consideração e perdão mútuos. E quando o amor vinga e vence os empecilhos, vê-se a alegria e felicidade tomarem conta dos sentimentos humanos. Onde ficaram os inimigos? Em verdade, eles não existiram; eram apenas os pensamentos deturpados das pessoas envolvidas que as faziam visualizar os outros como inimigos. É como olhar através de uma vidraça suja, e imaginar que as pessoas que vemos do outro lado sejam sujas.

Se alguém pratica algo mau ou fora da lei, fá-lo com medo de ser apanhado, e com isso se esconde de sua própria consciência. Quando nós odiamos um malfeitor, atraímos a tristeza para nossa alma. Por isso o Mestre Cristão disse para amarmos os nossos inimigos, para não cairmos na condição de albergar a tristeza, que é inimiga da alegria.

Quando o sentimento de amor no coração é genuíno, ele sempre vem acompanhado de alegria. Podemos levar essa norma de vida para nossas atividades, afazeres, diversões, trabalho, escola, trânsito, viagens. Se você ama seu trabalho, faça-o com alegria; se você gosta de dirigir, faça-o com alegria; se você gosta de falar às pessoas, faça-o com alegria; se você ama a Deus, faça-o com alegria (redobrada); se você gosta de cumprir a lei, faça-o com alegria; se você gosta de servir, faça-o com alegria. Há tantos exemplos a serem citados.

 Nossa índole e nosso caráter deveriam incorporar o amor e a alegria qual semente lançada em solo bom, a desabrochar na vida envolvendo a todos e a tudo. Talvez nossos sentimentos irrompam irresistíveis qual uma explosão, pois são uma expressão (pressão-para-fora) do Amor divino. Uma onda de amor e alegria que parta de nossas atitudes, pensamentos, e consciência e que inclua todos é o melhor presente que podemos dar à humanidade, tão carente nestes dias por afeto e amor genuínos.

O amor verdadeiro cumpre naturalmente a lei divina exemplificada por Cristo Jesus:

Fazei aos outros  o que quereis eles vos façam (Mateus 7: 12).

A Lei Áurea do Cristianismo é um distintivo religioso que todos os Cristãos deveriam levar na lapela para ser visto por todos, qual um “pin” reluzente a chamar a atenção.
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FOCO METAFÍSICO
A demonstração de amor tem a capacidade de elevar nossa existência a alturas espirituais. Quando compreendemos que “Deus é Amor(I João 4:5), como diz a Bíblia, vemos porque expressar amor nos aproxima de Deus. O nosso Mestre Cristão alertou seus seguidores:

“Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros” (João 13: 35).

Mary Baker Eddy corrobora a importância dessa disposição individual ao afirmar:

O amor a Deus e ao homem é o verdadeiro incentivo, tanto para curar como para ensinar. O Amor inspira, ilumina, designa o caminho e nele nos guia” (CeS, p.454).

Amor com maiúscula é para designar a natureza divina. Não há sentimento mais nobre na humanidade. Envolvamos a todos nesse cobertor espiritual e não receemos as consequências. Os que estudam a Bíblia Sagrada encontram em suas páginas muitas joias de sabedoria e recomendação a respeito de como deve ser nosso amor. A epístola de Paulo aos Coríntios é o exemplo mais clássico dessas passagens bíblicas. Mas... ele não deve ser apenas lido. Ele tem de ser vivido diária e constantemente:

E eu passo a mostrar-vos ainda um caminho sobremodo excelente:” (I Coríntios 13: 1- 13)

Temos uma responsabilidade para com a humanidade: a de vivenciar no dia-a-dia os preceitos dessa carta de Paulo. Isso enriquecerá nossas vidas e a de quem compartilha nossa companhia.

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domingo, 22 de novembro de 2015

Minorias atuantes x Maioria passiva

A humanidade parece refém de grupos de gananciosos, corruptos, fanáticos, violentos; e como vítima parece não saber como agir ou reagir. Mas o que será que se passa no pensamento do indivíduo?

Manchetes e notícias da mídia dão conta do grande desassossego vigente entre  pessoas em várias partes do mundo. A humanidade parece ter-se tornado refém de grupos de minorias atuantes contra as quais não ousa levantar reação, geralmente por medo de retaliações. A grande maioria da sociedade não compactua com essas ações agressivas, mas não se sente capacitada a dar passos efetivos de combate aos malfeitores ou de defesa de seus interesses ou bens. Será solução ficar de bico calado e braços cruzados? Vários tipos de grupos podem ser identificados:

Os gananciosos agem visando a obtenção de ganhos e lucros a qualquer custo, (traficantes de drogas, grandes grupos financeiros, empresas multinacionais),  mesmo a prejuízo de outros ou toda uma classe social, ou até do meio ambiente.
Os corruptos fazem parte do grupo anterior, mas levam no seu caminho (descaminho) funcionários públicos, prejudicando todo um planejamento de realizações públicas.
Fanáticos abraçam uma “causa” (religiosa, política, esportiva, regional) e por ela arriscam sua própria vida e dos outros. Colocam viseiras ao lado dos olhos e só conseguem ver numa direção.
Os Violentos são grupos de gangues para domínio local, depredadores em manifestações, desrespeitadores familiares, estupradores, criminosos em família.

Os componentes de tais grupos só se sentem fortes e inclinados a agir dentro do grupo. Quando acossados por alguma força de autoridade, tratam de fugir ou esconder-se,  pois sabem que seus atos ferem a lei, assim como ferem os cidadãos.

Diante das ações dos grupos atuantes, a maioria das pessoas comporta-se de modo pacífico (não seria passivo?) como se não fosse com ela. Quando muito fica espantada diante da violência ou audácia dos atuantes. Isso ocorre porque são pessoas de boa paz e preferem um transcurso de sua vida sem radicalismos. Imagine se a maioria pacífica (antes passiva) fosse tão atuante como os grupos da minoria? O que aconteceria? Será que a mídia daria a mesma cobertura nos noticiosos? Acho que sim, pois às vezes vemos matérias muito edificantes de ações comunitárias levadas a cabo por entidades assistenciais ou ambientais. Só não aparecem mais dessas notícias porque não ocorrem mais ações de igual impacto na comunidade.

Qual seria a melhor defesa da sociedade em geral contra as investidas dos grupos atuantes na ânsia de alcançar seus objetivos escusos? Assim como estes só conseguem atuar dentro de sua organização, também a sociedade precisa organizar-se para tentar alcançar um objetivo definido. A primeira ação será individual: vencer a passividade. O conforto do lar tende a segurar o indivíduo de tomar a iniciativa de alguma ação fora de casa. A conscientização do problema social por parte do cidadão não é suficiente; ele precisa sensibilizar-se com alguma causa. A sensibilização do indivíduo faz com que ele arregace as mangas e se ponha a trabalhar, e agir com o grupo de sua predileção;  dispõe-se a participar de alguma ação (definida pelo grupo do bem) no sentido de anular os objetivos dos grupos do mal. Quantos mais grupos do bem existirem, tanto menor o espaço de manobra dos grupos de minorias atuantes. Mas os métodos de ação têm de ser diferentes ou opostos a esses, sem violência, sem rancores, sem visar prejudicar pessoas, mas apenas defender, dentro da lei. Coragem é um requisito importante nesse ponto.

Outro tipo de ação ou atividade benevolente ou protetora seria o combate à ociosidade da juventude oferecendo atividades esportivas, ou musicais, culturais ou ambientais. Já há exemplos semelhantes sendo realizados.  A maioria do povo poderia apoiar tais iniciativas e delas participar voluntariamente, fortalecendo-as dessa maneira.

As autoridades estão se equipando com tecnologias cada vez mais avançadas que possibilitam ao cidadão aproximar-se por meio de denúncias para que as autoridades possa atuar em favor do cidadão. Valem aqui denúncias tanto de ações coletivas como individuais perpretadas por grupos ou por indivíduos.

Grupos de ajuda mútua em favor da defesa de atingidos por ataques ou calamidades é um tipo de ação muito positiva. Quanto mais a comunidade se aproximar de vítimas, menos espaço sobrará para ações vitimadoras contrárias. Quantas vezes vê-se notícias de pessoas que não querem deixar suas casas atingidas por enchente, por medo de serem roubadas de seus pertences domésticos enquanto estiverem fora .  Gatos (e gatunos) agem às escuras, para não serem vistos.

As ações ostensivas de grupos atuantes são plenamente visíveis e sensíveis. Mas não são fáceis de combater. Ao passo que as ações malévolas que partem do indivíduo são engendradas no pensamento individual e por isso podem ser combatidas uma a uma. Se uma ação vil for combatida na sua origem ela não prejudicará ninguém e não causará danos.

Pouco adianta para a solução de problemas a maioria da população ficar atordoada pelos noticiosos e ficar recolhida em suas fortalezas domésticas. Atitudes e iniciativas individuais pelos membros da maioria pacífica acabarão por gerar uma consciência comunitária apoiativa e proativa. Podemos, assim, sonhar com um mundo melhor.

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PONTO METAFÍSICO:
A defesa individual fica no campo da consciência e da religiosidade. Os cristãos se apoiarão na Bíblia, o muçulmanos e os israelitas também têm seu livro sagrado básico. O recurso ao valor espiritual da fé cristã enseja ao crente um recolhimento espiritual e psicológico capaz de lhe propiciar segurança em casa ou fora de casa. Os ensinamentos bíblicos mostram a realidade das promessas emitidas pelo Criador. Quando o Salmo 91 diz:
 “A pessoa que procura segurança no Deus Altíssimo e se abriga na sombra protetora do Todo-poderoso pode dizer a ele: ‘Ó Senhor Deus, tu és o meu defensor e o meu protetor. Tu és o meu Deus; eu confio em Ti’ (NTLH, Salmo 91: 1, 2),

podemos acreditar na veracidade da afirmação. Ou quando o mesmo Salmo promete:

“Deus mandará que os anjos dele cuidem de você para protegê-lo aonde quer que você for” (idem 91: 11),


 podemos confiar no Todo-poderoso. Quando nos recolhemos ao esconderijo do Altíssimo estamos escondidos das agressões do mal. Não seremos visíveis. A fé absoluta, a certeza de que Deus nos protege com Seu Amor se evidencia na percepção de segurança para nós e nossos familiares. Permitam-me repetir: fé absoluta e certeza sem vacilação. Quem assim agir verá!

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sábado, 31 de outubro de 2015

O essencial na religião do Cristo

Na essência dos ensinamentos de Cristo Jesus está o praticar a religião dele.

Com ciência e sabedoria, era o modo como Cristo Jesus aplicava as verdades eternas da realidade. O Mestre ensinou seus seguidores de outrora e os de hoje que poderiam realizar as mesmas obras que ele fez, porque a capacidade dessa realização é uma aptidão promovida pela Ciência Divina, hoje em dia ensinada pela Ciência Cristã. Os periódicos desta igreja e as Reuniões de Testemunhos nas igrejas filiais, além de livros escritos por cientistas cristãos pelo mundo afora, dão provas de que a fome por espiritualidade que o gênero humano se diz tomado está sendo atendida, o que prova que a consciência humana está sendo atingida por essa maré de espiritualização presente no mundo.

Mas, seguidores do Mestre Cristo Jesus são os que praticam a doutrina; prática visível na cura de problemas humanos de toda ordem: físicos, morais, espirituais, psíquicos, econômicos e de relacionamento. Era isso que ele esperava dos seus seguidores:
Aqueles que crerem em mim farão também as obras que eu faço (João 14: 12).

Mary Baker Eddy escreve:
“Ainda que respeitemos tudo o que há de bom na Igreja ou fora dela, nossa consagração ao Cristo baseia-se mais em demonstrar do que em professar a fé. ...e por compreender algo mais do Principio divino do Cristo imorredouro, ficamos habilitados a curar os doentes e triunfar sobre o pecado” (CeS, p. 28).

O Mestre era absoluto nos seus conceitos sobre Deus, o Amor, a Vida, a Sabedoria. Seus ensinamentos elevavam seus ouvintes ao entendimento das coisas do Espírito, fosse por pregação ou por parábolas. Seu objetivo era transmitir a espiritualidade. Eddy diz:
“Nosso Mestre não ensinou mera teoria, doutrina ou crença. Foi o Princípio divino de todo verdadeiro existir, que ele ensinou e pôs em prática” (Idem, p. 26).

Como distintivo de serem cristãos, seus seguidores têm na vida dele o exemplo de conduta e atuação. Ele mesmo assim caracterizou seus seguidores:
“Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos; se tiverdes amor uns aos outros” (João 13: 35).

O modo de Jesus ensinar seus discípulos e o povo incluía necessariamente afirmar a verdade referente a Deus, o Espírito, e negar as coisas do “diabo” ou “pai da mentira”. Ele sempre encorajava seus ouvintes ao amor, até amor aos inimigos, confiança absoluta no bem, misericórdia ou perdão, pureza, e cumprimento da lei divina. Por outro lado os encorajava a deixar o mal, ódio, morte, inimizade, coisas que os seus inimigos religiosos buscavam infligir-lhe. É difícil crer que um homem de tanta bondade e pureza e que praticou tanto bem entre a população pudesse vir a ser “condenado” à morte de cruz. Como o ódio cega os homens e os desorienta!

O resumo dos seus ensinamentos Jesus traçou no Sermão do Monte, uma peça recheada de espiritualidade. Quem quer que estude esse sermão e o pratique seriamente desenvolverá um genuíno caráter cristão, com o que viverá entre o povo com exemplos de vida e amor contagiantes. Será como um grão de fermento atuando em meio à massa do pensamento humano e mundano, transformando-o e elevando-o espiritualmente para deixar de ser mundano. Será como um luzeiro na escuridão.  Ele sempre ensinava com autoridade; autoridade que exemplificava na cura de doentes ou expulsão de demônios. Certa feita o povo se alegrou com o que viu e exclamou:
“O que vem a ser isto? Uma nova doutrina! Com autoridade ele ordena os espíritos imundos e eles lhe  obedecem” (Marcos 1: 27).

Pelo que ele ensinou, os cristãos ainda hoje teriam e poderiam usar dessa autoridade para suas obras. Nenhuma dúvida deveria ser tolerada quanto a esse desiderato religioso. Esse percalço—a dúvida—sempre foi duramente censurado pelo Mestre. Quando o apóstolo Pedro andou por sobre as ondas do mar e, de repente começou a afundar, ele apelou ao Mestre que o ajudasse. Logicamente seu amigo o segurou pela mão e não o deixou afundar, mas não conteve a observação:
“Homem de pequena fé; por que duvidaste?” (Mateus 14: 31)

Crer no poder supremo do Espírito era um dos pontos-chave da religião do Cristo. A superioridade do Espírito sobre a matéria nunca vacilava no crer do Mestre. Até uma ordem para uma figueira lançar-se ao mar seria obedecida pela planta se, quem deu a ordem, cresse na autoridade do Espírito sobre a matéria. A dúvida é o oposto da certeza e da fé, e essa “danada” nem sempre é facilmente detectada em nosso pensamento consciente e muito menos no subconsciente. Daí a necessidade de vigilância sobre nosso pensar—por nós não por outros. O Mestre alertou seus seguidores:
“O que vos digo, digo a todos: vigiai!” (Marcos 13: 37)

O Mestre tinha a capacidade de ler pensamentos com a qual muitas vezes surpreendia seus adversários ou seus interlocutores. Essa sua habilidade era evidência de sua comunhão consciente com a Mente divina que tudo sabe. As palavras dele:
 “Aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço” (João 14: 12),

certamente incluíam toda e qualquer capacidade, mesmo essa de ler pensamentos ou saber o futuro. Os homens que tanto desejam poder exercer esse dom paranormal deveriam buscar a fonte de tal capacidade na Mente infinita, à qual o Mestre recorria espontânea, natural e constantemente. Se os homens soubessem usar esse dom, a humanidade seria abençoada, pois tal dom não pode ser usado para o mal, dado que sua fonte é o Bem infinito. Aliás todas as demonstrações de extraordinário poder que JC fez denotam que buscava no Altíssimo a fonte dessas capacidades e as usava somente para o bem das pessoas.

Se pudéssemos resumir sua obra de vida poderíamos citar: amor a Deus e ao próximo, confiança absoluta no Espírito, sabedoria ilimitada, isenção de ódio e temor, capacidade de ensinar a espiritualidade, consciência de sua missão e ater-se a ela.


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segunda-feira, 12 de outubro de 2015

“Daqui não saio...”

Reino de Deus não é localidade; é um estado de alma.

A canção carnavalesca (“Daqui não saio, daqui ninguém me tira...”) dá um toque num ponto que poderíamos aproveitar metafisicamente. A ideia de que estamos no reino de Deus e que daqui ninguém/nada nos pode tirar é metafisicamente correta e contém no seu bojo um importante apoio para nossa fé em Deus.

No livro dos Atos dos Apóstolos da Bíblia consta o relato da ocasião em que o apóstolo Paulo estava em Atenas e foi levado ao areópago para discursar, pregar suas convicções do Cristianismo. Imagino que houvesse uma forte expectativa local quanto ao discurso desse estrangeiro, bem como um considerável contrapeso cultural. Por isso Paulo tomou muito cuidado no que diria, armou-se de coragem mas não despiu seu destemor em propagar a nova doutrina (ver Atos dos Apóstolos, 17: 16-31). Paulo já havia visto os objetos de culto dos atenienses e achou um altar com a inscrição: AO DEUS DESCONHECIDO. E foi nesse ponto apoiou sua dissertação: ”Pois esse que adorais sem conhecer é precisamente aquele que vos anuncio... Pois nele nós vivemos, nos movemos e existimos”.

Dentro dessa ideia, quem  ou o que pode nos tirar da presença divina ou nos desviar de viver, mover e existir em Deus? Responda você mesmo, caro leitor. Isto é tema para profunda e demorada reflexão ou oração. Se sua resposta é na forma negativa, quer dizer que nada pode nos desviar de Deus e Sua atenção, aconselho a guardar esse entendimento na primeira fila de sua lista de prioridades. Continue com essa linha de pensamento e verá novos tópicos se desenvolvendo e novos horizontes se abrindo na sua consciência do Cristianismo científico. Poderá ter momentos preciosos de percepção de uma presença espiritual indescritível e uma paz e alegria de elevada natureza isentas de qualquer intromissão do pensar humano.

Esse estado inspirado e elevado é o reino dos céus se manifestando à nossa consciência. Viver no reino dos céus é viver governado pelos atributos divinos da Mente, da Vida, da Verdade, do Amor, isentos, livres e imunes aos ataques dos maus pensamentos, ou da mentalidade mortal. Quem nos coloca no Reino dos Céus? Nós mesmos quando oramos: “Venha o Teu reino”. Não é isso o que almejamos ao recitar a Oração do Senhor—o Pai-Nosso?  Na Oração Diária a Sra. Eddy agrega um esclarecimento: “Estabeleça-se em mim o reino da Verdade, da Vida e do Amor divinos [e elimine] de mim todo o pecado (Manual da Igreja, p. 41).

Na Bíblia encontramos muitos versículos que nos fortalecem a convicção e o sentimento de estarmos com Deus, em harmonia suprema.  Gosto muito da afirmação de Salomão: “Os sábios e os justos e seus feitos estão nas mãos de Deus (Eclesiastes 9:1). Quando conduzimos nossa vida com sabedoria e tratamos nossos irmãos com justiça—nosso dever Cristão, não é mesmo?—podemos  ter certeza de que estamos nas mãos de Deus, porque agimos com amor.
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segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Enigmas divinos

As revelações ou comunicações de Deus ao homem muitas vezes parecem enigmas 

Conta uma estória que um homem voltava para casa, numa noite escura, por um caminho que seguia ao lado de um barranco alto. Pela escuridão acabou caindo no barranco e só se safou da queda porque se agarrou em alguns galhos de uma velha árvore. Começou a chamar por socorro, mas ninguém acudiu. Acabou por apelar para sua fé e obteve uma resposta de uma Voz que lhe desafiou sua confiança. A tudo respondeu que tinha fé como a de Moisés e de Jesus. A voz novamente lhe ordenou: “Então larga do galho”. O protagonista não achou razoável a recomendação, e não tendo mais a quem apelar ficou ali na noite fria agarrado ao galho, quase sucumbindo de frio. Pela manhã viu que poderia ter-se livrado do problema se tivesse atendido à ordem de soltar o galho, pois estava a apenas 50cm do chão.

Por que a Voz não lhe disse claramente que ele já estava perto do solo? Por que Deus fala por enigmas? Ocorre que Deus se comunica por ideias, e nós nem sempre estamos sintonizados com as ideias que dEle provêm. Parece, então, como se Ele não nos ouvisse ou atendesse. Na verdade, nós é que não O ouvimos e atendemos. As respostas divinas parecem enigmas porque o conteúdo da comunicação é por ideias as quais nem sempre percebemos.

A intuição é o modo de Deus comunicar Suas ideias. A mente humana tende a resistir à intuição porque esta não se fixa na lógica humana das circunstâncias. Até as parábolas ou lições de Jesus Cristo eram, às vezes, algo enigmático para seus ouvintes: nascer de novo; fonte de água viva; dizer a um monte: lança-te no mar; saquear a casa do valente. Essas parábolas, entretanto, uma vez compreendidas no seu significado espiritual eram—e são—lições  grandiosas e perenes que ainda hoje podem ser aprendidas e aplicadas. E bem faríamos em lançar mão desses ensinamentos cristãos para orientar nossa vida hoje em dia.

Voltando ao personagem da estória inicial, dentro de seu problema humano apelou a todos os meios de que tinha conhecimento. Mas não estavam presentes; nem havia ouvidos humanos disponíveis para ajudar. O homem soube apelar, por fim, à fé em Deus, como último recurso. (Soa familiar, não?) Com certeza, não estava familiarizado com as respostas que o Pai envia, pois duvidou delas até no momento de extrema necessidade. Mas, notem, a resposta estava ali mesmo; bastava que o homem atendesse. Aliás se esse personagem estivesse habituado a confiar em Deus, ele com certeza nem teria caído no barranco! Saberia caminhar à beira do perigo sem medo e sem vacilação. Ouviria a intuição ou orientação divina sobre onde pousar seus pés. [Ver adendo no final deste artigo]. A lição que podemos tirar dessa “parábola” é que confiança absoluta e fé firme são requisitos para se obter o que pedimos a Deus e para reconhecer a resposta do Pai-Mãe. 

O Mestre Cristão ensinou aos seus ouvintes: “Quando vocês orarem e pedirem alguma coisa creiam que já a recebestes, e tudo lhes será dado(Marcos 11: 24; NTLH). Quem acredita nele? Quem acredita no que Jesus disse saberá que as mensagens divinas não são enigmas, mas ordens claras para fiel obediência.

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ADENDO:
Relato feito por Orlando Trentini. Eu lembro que um cientista cristão de Santa Catarina, que em meados do século passado tinha ido com sua carroça puxada por 2 cavalos para a vila para levar alguns produtos da roça e comprar insumos necessários para o uso no sitio.
Enquanto estava na vila fazendo a entrega dos seus produtos no armazém, armou-se um temporal com ventos fortes, nuvens, raios e chuva forte.   Ficou protegido no armazém, até passar a tormenta e o excesso de água da estrada ter rolado para o córrego.

Quando iniciou a viagem de volta já estava escuro.  Noite sem lua e sem estrelas.  Não conseguia ver nada.  Como guiar os cavalos nessa escuridão.  Os cavalos já tinham feito muitas vezes esse trajeto, e eles queriam muito chegar em casa e serem desatrelados e ir descansar e pastar.  Assim, ele soltou a guia e deixou que os cavalos—que  também são criaturas, ideias menores de Deus, por isso mesmo inteligentes—e  confiou que Deus os guiasse para levar a carroça com os mantimentos em segurança para casa. Enquanto isso ele ia orando com o Salmo 91, o Salmo 23, e procurando estar consciente na harmonia de Deus, mesmo que ele não estivesse vendo a estrada.

Já estavam quase em casa quando de repente os cavalos pararam e ele insistiu para que continuassem. Mas eles permaneceram parados.  “Pai divino mostra-lhes o caminho para que possam seguir”, orou o carroceiro, ainda impossibilitado de ver qualquer coisa e sem poder usar o seu raciocínio e sua experiência para guiar os cavalos.
Logo, em seguida os cavalos empurraram a carroça um pouco para trás e, então, viraram para a esquerda num angulo bem fechado e subiram o terreno fora da estrada;  nesse trecho a estradinha tinha um corte no lado esquerdo e  à direita estava o barranco que terminava no riozinho, bem abaixo.

Os cavalos subiram o barranco e seguiram um pedaço pelo terreno inclinado, e depois voltaram com a carroça para a estrada;  mais um pouco e já estavam chegando em casa, quando então pararam no curral embaixo do telhado do celeiro. O carroceiro desatrelou os cavalos, tirou-lhes os arreios e os soltou no campo para pastar e descansar; e ele foi para casa descansar também.

No outro dia depois de atender os afazeres do sitio, foi ver a razão dos cavalos terem parado na estrada e fazerem a manobra de subir o barranco e voltarem com a carroça com toda segurança para a estrada, como se alguém os estivesse guiando.  Era uma pequena distância até o local.  E quando lá chegou viu que a estrada havia sido carregada pela enxurrada e que havia um enorme buraco. No terreno ao lado da estrada estavam os sulcos das rodas no terreno molhado mostrando a perfeição da manobra executada com segurança na escuridão.

Sentiu uma grande gratidão por ter confiado em Deus e deixado as rédeas soltas para que os cavalos seguissem com a preciosa carga pelo caminho como guiados por Deus e completando a viagem em total segurança.

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terça-feira, 8 de setembro de 2015

Menos TER e mais SER

TER menos do transitório e SER mais o duradouro

(Ter)                                                                                                 
Há mudanças que são necessárias na sociedade humana, no convívio social, no modo de vida. Algumas chegam a ser urgentes. Se o que temos é material, então é de valor temporário, transitório. Se TER coisas for nosso ideal então precisamos mudar. O consumismo exagerado é maléfico, pois conduz ao materialismo que acaba por contrapor-se à espiritualidade. Nunca é demais enfatizar essa condição de necessidade de elevação no padrão de vida moral. É uma das grandes necessidades da humanidade. O problema  não é ter bens materiais; é o apego a eles que pode ser mau se for exagerado e incontrolado.

Na metafísica, no campo espiritual—na Ciência Divina—TER é pouco comum. Não temos um Deus, nós expressamos a Deus; não temos uma fé, nós expressamos/vivemos uma fé. Não temos uma religião; nós somos da religião. Não temos uma igreja, nós somos a igreja. Não temos uma família; nós pertencemos a ela, convivemos com ela.

Quando dizemos que temos uma doença é porque nos identificamos com o mal e a matéria. Nós não temos um mal; este é apenas pensamento manifestado.

Como imagem/semelhança de Deus, só temos o que Deus tem; somos o que vem de Deus.
Deus não tem poder; Ele é poder
Deus não tem presença; Ele é toda-presença.
Deus não tem sabedoria; Ele é sabedoria/onisciência.

 (Ser)                                                                                                       
Nossa existência está ligada ao verbo Ser. As qualidades morais e espirituais são vividas por nós. Somos bons, generosos, honestos, estudiosos, e outros tantos adjetivos edificantes. Expressamos qualidades, não quantidades.

Em relação a Deus usamos o verbo SER: Deus é! Fato presente, eterno, definitivo.

As qualidades imorais/más não são possuídas por nós; são apenas vivificadas no corpo. Aqui o verbo SER pode assumir uma condição temporária; tendo uma conotação de ESTAR. Se dizemos que alguém é ladrão, isto quer dizer que um dia poderá  deixar de ser ladrão. O mesmo raciocínio vale para todos os maus adjetivos. Objetos/bens materiais e maus costumes são temporários. Melhor caracterizá-los com “Estar”: estou com um carro; estou desonesto.

Palavras da Bíblia exortam-nos a cultivar qualidades espirituais: “Não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou  Com que nos vestiremos?...Buscai, em primeiro lugar, o Seu reino e a Sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas” (Mateus 6: 31, 33).

Alguns passos para a humanidade ser melhor, (sem ordem de prioridade):
-- Buscar e vivenciar  a Espiritualidade.
--Cultivar a gratidão, levá-la à flor da pele.
--Ligar-se a Deus; a Ciência do Cristianismo é um bom meio.
--Cultivar o principio: fazer aos outros o que queres te façam.
--Apoiar a família, nossa e de outros; firmar a instituição da família.
--Equilibrar intelecto com sentimentos; razão e emoção em equilíbrio produz os melhores resultados.
--Encontrar a felicidade nas coisas simples. Abrir o coração para coisas belas da natureza.
--Usar as energias espirituais nos seus empreendimentos.
--Buscar bem-estar alheio; ser generosos sempre.  
--Demonstrar boas maneiras a todos.
--Usar coisas belas para alegria dos outros, inclusive nas vestimentas.
--Buscar progresso sem posses.
--Cultivar silencio/harmonia; música inspirada.
--Buscar no teu interior o que queres ser, o significado de tua vida.
--Realizações para o bem do próximo; trabalhar com afinco.
--Melhor oferecer do que exigir.
--Cultivar virtudes e demonstrá-las em todos lugares.
--Onde quer que estejas, o quer que faças, seja tu mesmo.
--Elogiar, melhor do que praguejar.
--Adquirir conhecimento com juízo.

Esse tipo de vida nos torna felizes e favorece a felicidade nos outros,  além de melhorar o gênero humano.

Como Cristãos devemos dar vida à recomendação do apóstolo Paulo: “Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento” (Filipenses 4: 8).

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