segunda-feira, 28 de outubro de 2013

As duas alegrias

Certa vez tive um sonho que, por seu desenrolar, me pareceu um sonho filosófico. Esta é a única explicação que tenho para o mesmo. A lembrança do sonho continua muito forte ainda hoje e, ao fechar os olhos, me vejo em meio aos figurantes.

Estava eu junto a uma multidão de pessoas e todos caminhavam na mesma direção. O caminho levava a um recinto grande à entrada do qual havia dois portais, duas portas muito grandes. Numa havia a inscrição: Alegrias humanas e corporais, e na outra Alegrias.... Não havia nenhuma explicação sobre opções e o que se encontraria atrás das portas. Entrei pelo portal Alegrias... que estava à minha frente.

Por trás das portas havia uma diferença nítida e marcante entre os dois caminhos, mas não havia nenhuma parede que impedisse de pessoas passarem de um para outro lado. Havia amigos e parentes que trilhavam caminhos de um e outro lado. Não havia inimizade entre eles, e o fato da separação de lados não afetava seu relacionamento. Faziam as mesmas coisas. Iam juntos a cinemas, refeições, igreja, aniversários, casamentos, e não obstante estavam em caminhos diferentes. (Só mesmo num sonho!)

Ao entrar no recinto percebi lá no fundo dois grandes cartazes, tipo “Outdoors” com inscrições que conseguia ler mas não me interessei. Havia outras coisas para observar nas muitas e claras diferenças nos dois caminhos. Num havia mais agito, no outro mais calma; num havia atividades dia e noite, e no outro mais de dia; num havia ansiedades, no outro felicidade; num havia temores, no outro amor. Num havia muito mais pessoas nos cinemas, boates e cassinos, em compensação tinha também mais pessoas em hospitais. Nele havia também muitas intrigas, rancores e ciumeiras.

Do lado em que eu caminhava havia um pouco mais de luz, as ruas estavam limpas e menos ruidosas, os museus eram mais freqüentados, as igrejas também, havia muito respeito mútuo, as pessoas eram corretas no seu trabalho, não havia corrupção, as lojas lotéricas estavam quase sempre vazias, quase todos mostravam afeição pela natureza, tanto de plantas como de animais.

Os dois caminhos continuavam, mas agora separados como que por um véu. A toda hora via-se pessoas passando de um lado a outro, sem qualquer constrangimento ou cobrança por parte das pessoas. Parecia-me que as pessoas não se davam conta do véu “virtual”. Só mesmo em sonho! A vida simplesmente continuava. Em certo ponto pude ver com mais clareza os dois cartazes que havia visto logo na entrada. Percebi também que lá terminava a separação virtual dos dois caminhos. A partir daquele ponto não havia mais passagem; quem quisesse mudar de lado, teria que fazê-lo ali ou retornar até ali, se por acaso tivesse passado do ponto.

Percebia-se que a partir do cartaz final um caminho se tornava ascendente enquanto o outro continuava no mesmo nível. Quando parei diante dos dois cartazes e li as inscrições ALEGRIAS COM DEUS  e no outro ALEGRIAS HUMANAS E CORPORAIS, acordei!
Não pude seguir tentando investigar as diferenças dos dois caminhos.

Só me restava pensar. E foi o que fiz.

Os dois caminhos estavam aí para escolha livre de qualquer pessoa. Parentes e amigos poderiam estar em qualquer dos lados, aparentemente separados. A opção de um ou outro lado não impedia que continuassem parentes ou amigos. Isso me fez concluir que esses caminhos se delineavam na consciência. Na escala de valores humanos, morais e espirituais, cada um estabelece suas prioridades. É livre a sua escolha, e não tem de justificá-la a ninguém.

Entendi também que o ponto dos dois cartazes a partir dos quais os caminhos se separavam, não significava a morte, mas sim o momento da decisão do indivíduo qual caminho deseja seguir. A separação se faz no pensamento da pessoa quando esta decide deixar de alegrias e prazeres meramente humanos e voltados ao corpo. Não é que tenha que romper drasticamente, mas na escala de valores as alegrias e prazeres passam para posições de menor destaque. Deixam de ser coisa mais importante da vida.

“As Alegrias com Deus” de fato proporcionam mais felicidade, respeito, amor, ordem, gosto pela natureza, e pelas coisas morais. Há muito menos intrigas, ciumeiras, rancores, brigas, desconfianças, etc. Pelo que vi, no meu sonho eu havia escolhido o caminho das Alegrias com Deus.

Pensando um pouco mais, lembrei-me de passagens bíblicas que tão bem ilustram a parábola que sonhei. Cristo Jesus aborda a questão com a estória do filho pródigo, e o apóstolo Paulo o clarificou na sua epístola aos Gálatas. Vou parafrasear um pouco a palavra bíblica sobre o que Paulo escreveu (Gal. 5:19-21): “As obras da carne [das alegrias humanas e corporais para usar um termo do sonho] são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissenções, facções, invejas, bebedices, glutonarias e cousas semelhantes a essas...” É uma lista grande e forte, não é mesmo? Mas se analisarmos atentamente veremos que por trás de cada item há um quê de busca por prazer humano e corpóreo, um quê de esperança em ganho pessoal e material. Quem enveredar por esse caminho pode acaso voltar e afastar-se dele?  Sim! É claro. Geralmente é o que acontece quando a pessoa cansa dos “frutos da carne” e busca outra maneira de vida. Depois de muito sofrimento a pessoa anseia pelo “fruto do Espírito” (Gal. 5:22,23): “amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio.”  Quem não aspira por vivenciar esse paraíso?

O livro Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras,*  escrito por Mary Baker Eddy, a descobridora da Ciência Cristã, lança uma luz definitiva sobre o assunto e o encaminha ao nível metafísico: “Negar a pretensões da matéria é um grande passo rumo às alegrias do Espírito, à liberdade  humana e ao triunfo final sobre o corpo” (pag. 242).

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*Disponível na Biblioteca Pública Municipal

Será que as ciências puseram Deus em escanteio?

Verdades da criação divina

Investigações recentes realizadas por pessoas e entidades de renome mundial sobre a origem da Terra e suas transformações ao longo de eras e milênios têm trazido à tona muitos esclarecimentos que descartam e/ou desafiam inúmeras concepções científicas ou religiosas da humanidade. A origem da raça humana ou sua evolução do infinitésimo ao atual estágio fica confrontada por novos conhecimentos ou conceitos (alguns ainda hipotéticos) enquanto os investigadores perguntam a respeito e procuram respostas em fatos e evidências, indubitáveis para eles.

Quando vê as impressionantes construções megalíticas datadas de milênios  AC, existentes em várias partes do globo terrestre, tanto a céu aberto como submersas, um cristão poderia perguntar-se se o relato bíblico da criação no Gênesis é apenas ilustrativo ou quiçás verdadeiro? Tomado ao pé da letra o relato bíblico da criação de Adão e Eva data de algo como 4 mil anos AC, ou seja muito depois de terem aparecido as obras megalíticas e de serem encontrados restos de fósseis humanos datados bem acima de 10.000 anos. E agora? Quem tem razão? As evidências científicas ou o texto da Bíblia Sagrada? As crenças cristãs estão cada vez mais pressionadas a mudarem de direção, pois a dúvida do que sempre se acreditou ser a origem da humanidade está solapando sua certeza e fé.

As ciências parecem levar vantagem sobre as religiões por causa das evidências que são trazidas à tona.  No entanto, elas próprias têm muitas dúvidas a esclarecer mas não dispõem de conhecimento tecnológico e científico para esboçar respostas satisfatórias. Toda vez que é lançada uma teoria, logo surgem indagações reclamando esclarecimentos―Como puderam os antigos homens pré-históricos manipular os gigantescos monólitos de várias dezenas de toneladas? E isso numa época que não dispunha de equipamentos que hoje dispomos. Foram os terráqueos que construíram ou foram os ditos “deuses” extraterrestres? Estes com toda certeza poderiam ter o conhecimento e equipamentos para transportar as pesadíssimas cargas―teoricamente!     
   
Os Cristãos que têm a Bíblia como seu livro de texto de fé mas que não conseguem evidenciar a validade dos ensinamentos de seu Mestre ficam sem rumo por se apegarem somente à letra das Sagradas Escrituras, deixando de lado o entendimento do fato bíblico sob ótica espiritual. Aliás, esta―e somente esta―pode traduzir para os dias de hoje o grande valor verídico, moral e espiritual do conteúdo da história bíblica.

Se o estudioso da Bíblia se abstrair dos relatos no espaço-tempo perceberá que não há incongruência entre estes e as novas descobertas científicas. O relato da criação no primeiro capítulo do Gênesis, aceito como se ocorrido no intervalo de uma semana, é bastante improvável de ter sucedido e contrapõe-se às provas das ciências modernas. No entanto, entendendo que a denominação “dia” é uma designação pictórica posto que a própria Bíblia diz que “mil anos aos teus olhos são como o dia de ontem que passou”,1 a discrepância conceitual da palavra bíblica com as ciências fica minimizada. Aos olhos da eternidade de Deus “mil anos” ou “um milhão de anos” é a mesma coisa, pois para a eternidade não há tempo. As grandezas na escala espaço-tempo somem diante da infinidade universal (a física quântica corrobora tal conceito) que é a dimensão mais apropriada para uma visão adequada do Divino Criador.

Sendo a Terra é um astro do adolescente sistema solar, será que na vastidão incomensurável do universo não pode haver sistemas capazes de abrigar a vida—seja ela menos evoluída ou mais adiantada do que no nosso planeta? Se há seres em outros mundos e que sejam mais adiantados em conhecimentos é bem provável que já tenham vindo visitar seus irmãos terráqueos e tentar ensinar-lhes “algumas coisinhas”. O grande problema aos humanos de hoje ainda é superar os limites das grandezas do espaço-tempo. Quando esta técnica for apreendida e dominada a humanidade não será mais a mesma.  Hoje não conseguimos nem imaginar como será o mundo então. Viagens no tempo! Viagens em hipervelocidade! Uma utopia?

É marcante o afã das ciências em demonstrar que os relatos bíblicos têm uma explicação “científica” baseada em fenômenos naturais dirigidos por forças atômicas sem inteligência. As pragas do Egito, o dilúvio, a experiência de Jonas, só para citar uns poucos exemplos, são ocorrências passíveis de esclarecimento e interpretação. O choque entre a consideração literal do texto bíblico e as demonstrações matemáticas das ciências humanas parece um campo de gladiadores—uma arena de forças em conflito dentro de nossa consciência. De que lado estamos?  Num atribui-se todas as qualidades e aptidões ao reino físico, no outro há uma forte tentativa de reservar ao Ser Divino e infinito as qualidades dominantes no universo. Mas se esta tentativa de valorizar o aspecto espiritual for baseada no testemunho dos sentidos, ela fatalmente não resistirá às investidas do opositor. Os relatos e ensinamentos bíblicos para serem entendidos em nossa época precisam ser traduzidos adotando-se ponto-de-partida diferenciado da letra pura para assim trazer ao nível atual e intelectual as grandiosas façanhas de alguns personagens bíblicos. Então saberemos de que lado ficar.

Sob enfoque espiritual os relatos das Sagradas Escrituras valem para qualquer época, lugar ou personagens. Seu valor espiritual transcende as limitações do espaço e do tempo. Quando o Gênesis afirma que “criou Deus o homem à Sua imagem; homem e mulher os criou”2, devemos tomar o cuidado de não inverter os valores. Começando por aceitar Deus, Espírito, como Causa da existência do homem, entenderemos que o efeito dessa Causa é semelhante à natureza dessa Causa. Vale dizer, primeiro colocamos Deus no quadro e depois o homem na Sua imagem. Então, vendo Deus como Espírito, Sua imagem deve ser espiritual; vendo Deus como Mente infinita, Sua imagem é idéia inteligente; sabendo que Deus é Bom, Sua imagem é boa. Nessa relação Criador/criatura a formação material não aparece nem se imiscui. No tempo de eras e milênios essa relação não é afetada nem corrompida. Quando concebeu Deus a idéia-homem? Isso não existe no tempo e não tem um começo.

Ao comentarmos o relato da criação do homem conforme o segundo capítulo do Gênesis em que Adão e Eva são lançados no paraíso  e depois expulsos, devemos tomar o cuidado de não resvalar na interpretação. Aqui o relato diz que o Criador fez uma figura de barro para ser o primeiro homem; depois retirou um pedaço dele para fazer a mulher (outra figura humana). Se descuidadamente sobrepormos os dois relatos, Genesis I e II, concluiremos falsamente que Deus tem uma figura antropomórfica e, como tal seria limitado, precisaria de um lugar para morar (o céu), por causa da idade teria longas barbas brancas e que de Sua morada controlaria os terráqueos. Semelhantemente aos humanos faria coisas erradas, se arrependeria, castigaria e fustigaria os bons, condenaria os maus. Vê-se que os homens, pensando entender o infinito e espiritual, fazem Deus semelhante ao homem; interpretação essa que é errônea e tem a mesma base das ciências modernas que tentam explicar o infinito por meio de fórmulas e limitações. E se as afirmações dos modernos antropólogos que dizem sermows descendentes de extraterrestres forem verdadeiras, teremos que adaptar nossos conceitos a respeito da existência do homem; permanece, contudo, o fato de que o existir do homem é, em essência, espiritual e ideal. Em nosso interior e consciência bate um coração ligado ao infinito.

Eu concluo que as ciências puseram em escanteio não a Deus, mas tão somente o conceito limitado sobre Deus. O entendimento espiritual dos fatos bíblicos mostra que estes têm lógica e veracidade e que não conflitam com as modernas descobertas de cientistas e pesquisadores. Faz-se mister uma pesquisa profunda baseada em novos parâmetros para descobrir que por trás dos aparentes milagres e coisas extraordinárias nos eventos bíblicos há uma Ciência universal baseada em fatos não materiais. Tem de haver uma compatibilização na mente humana entre esses pontos aparentemente defasados ou desconexos, e para isso devemos buscar apoio na Ciência divina e na compreensão espiritual que permeia o texto bíblico. Uma avançada pensadora do Século XIX introduziu as bases do entendimento espiritual das Escrituras e sua aplicabilidade atual e todas as épocas. Em sua obra Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, Mary Baker Eddy  afirma: “A compreensão espiritual é a realidade de todas as coisas trazida à luz... A compreensão é a linha de demarcação entre o real e o irreal. A compreensão espiritual revela a Mente—a Vida, a Verdade e o Amor—e demonstra o sentido divino, dando a prova espiritual do universo na Ciência Cristã”3. Ela diz ainda: “O universo está repleto de idéias espirituais e elas obedecem à [infinita] Mente”4 criadora.
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1 Salmo 90: 4; 2 Gênesis 1: 27; 3 Ciência e Saúde, p. 505; 4idem, p. ....

Jesus Cristo em escanteio, será?

Em outro artigo expusemos as tentativas científicas de combater a validade dos escritos bíblicos relativo a eventos ocorridos antes da hipotética criação do mundo descrita no primeiro capítulo do Gênesis.  Há outro grupo de pensadores que imaginam estarem realmente orientando a humanidade acerca dos relatos bíblicos da vida de Jesus Cristo. Falam com tanta convicção de suas teorias que uma pessoa desatenta pensaria que dizem a verdade. Isso sem falar dos mitos literários e teóricos quanto à condição moral de Jesus. Não tivesse nosso mestre Cristão ensinado o perdão como presença obrigatória em nosso coração, há muito teriam os escritos imaginativos sobre nosso Mestre suscitado um levante de armas para defender a honra do fundador de nossa religião.

Vi em recente show de TV de como cientistas suspeitam de que houve extraterrestres visitando nosso planeta há séculos, antes mesmo da atual civilização terrestre. Procuram demonstrar suas teses de casos de ações de visitantes extraterrestres comparando-os com eventos bíblicos aparentemente sobrenaturais ou milagrosos para os quais as ciências humanas não têm explicação. Ocorre que a menção ao texto bíblico é feita de modo pontual sem examinar o contexto em que a experiência ocorreu, sequer procurando apontar o foco de seus argumentos para a espiritualidade do personagem histórico. Citam, por exemplo, a visão de Moisés da sarça ardente como uma ação “mágica” ou de alguma tecnologia desconhecida. Se soubessem que na literatura hebraica a menção a fogo tem muitas vezes o sentido de inspiração espiritual (ex. línguas de fogo no dia de Pentecostes, cavalos de fogo que levaram Elias ao céu, exército de cavalos e carruagens de fogo cercando Elizeu), buscariam saber qual o contexto do acontecido. Moisés estava por receber a mais alta missão de sua vida, mas precisava primeiro aprender a ter um conceito mais elevado e metafísico de seu Deus. A partir daí Deus ficou conhecido a Moisés como o EU SOU: ser eterno e poderoso que nunca muda. Nesse SER  eterno—Eu Sou―Moisés confiou e levou um povo a salvo pelo Mar Vermelho, pelo deserto até às muralhas de Jericó que não resistiram ao avanço dos filhos de Israel.

As pragas no Egito, a travessia do mar, o maná e as codornas no deserto, tudo tem uma explicação em base material e natural para os fenômenos, dizem os cientistas; por isso não são obra de Deus. Esquecem os doutores das ciências que Deus age por meio da natureza. O caso das codornas e do maná, por exemplo. As ocorrências eram naturais e esporádicas naquela época. O que as ciências não explicam como foi que fenômeno do maná e das codornas ocorreu diariamente durante várias décadas. Não explicam pois não são capazes de atribuir ao Ser supremo a capacidade amar e proteger a quem se deixa guiar por Ele; parece que a expressão AMOR DIVINO  não faz parte de seu vocabulário e entendimento.

Outro exemplo de uma interferência extraterrestre, segundo o programa da TV, relatada na Bíblia, trata do momento da sagrada concepção de Maria. Este relato nas Sagradas Escrituras é, literalmente, um tanto misterioso e suscita dúvidas em muitas pessoas. Sugerem os investigadores que Maria teria sido abduzida por extraterrestres e fertilizada por algum processo desconhecido, só que não conseguem saber por que fizeram isso. No entanto, a santidade da experiência de Maria fica sacramentada quando se examina a vida do ser ao qual ela deu a luz. “Maria concebeu-o espiritualmente, pois só a pureza podia refletir a Verdade e o Amor visivelmente encarnados no bom e puro Cristo Jesus. Ele exprimia o mais elevado tipo de divindade que uma forma carnal podia exprimir naquela época”1  esclareceu Mary Baker Eddy em seu livro Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras. As obras de Jesus demonstram que ele era movido pelo amor em tudo que dizia e fazia. Sua espiritualidade era a base de suas curas, do perdão dos pecados, da ressurreição de mortos, da repreensão a algum desvio dos discípulos. Sem amor ninguém pode curar espiritualmente; sem amor ninguém pode perdoar; sem amor ninguém pode ensinar a espiritualidade, nem atrair multidões para ouvi-lo, e isto sem qualquer sistema amplificador de som para comunicar-se.

Que tente alguém curar um simples caso por via espiritual—a oração. Não conseguirá se não estiver munido de qualidades espirituais. “A oração que reforma o pecador e cura o doente é uma fé absoluta em que tudo é possível a Deus—uma compreensão espiritual acerca dEle, um amor abnegado”2 escreve Eddy. Esses ingredientes da oração eficaz não se adquire por meios humanos nem exercitando a vontade humana e o amor humano, muitas vezes confundido com generosidade humana. Uma vida cheia de espiritualidade é a exigência primordial para tal êxito. Os desafios que Jesus enfrentou, desde doenças entre o povo até o ódio de seus adversários, só nos fazem crer que enfrentava todos seus contendores com amor e perdão. Quando estava sendo preso, num momento crucial de sua vida, quando as circunstâncias justificavam o uso da força física, o Mestre tratou todos com amor e até curou um homem que tivera uma orelha decepada por um discípulo que julgou justificável a agressão, contrariando a visão de seu mestre. Não há cura sem amor; é a lei espiritual e, essa lei, ele aplicou com plena convicção.

Não sou contra as investigações da pré-história nem as comparações com relatos bíblicos quando feitos com critério e isenção. Eles nos ajudam a buscar entendimento mais espiritual da palavra sagrada em vez de ficar matutando na letra fria. Existe hoje em dia a oportunidade de aprender e estudar uma nova ciência: a Ciência do Cristo, ou Ciência Cristã. Aliás não é tão nova assim, pois ela trata da Ciência divina que Jesus aplicou em seu ministério. Ele afirmou: “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”3. A verdade que nos liberta da ignorância e do erro é a Verdade absoluta e afirmativa, a realidade de Deus e do homem. A Ciência Cristã nos abre caminho para ampliar nosso horizonte de entendimento do universo pois nos ensina a compreender o infinito e o infinitésimo, a onipotência, a onipresença, um Princípio todo-sábio e todo-atuante. Até a compreensão sobre o homem cabe nessa infinidade. Quando nos damos conta de o homem é feito à “imagem e semelhança”4 de um Deus que é infinito, Espírito, Vida e Amor, alçamos nossa visão a respeito do homem, sem rebaixar a visão a respeito de Deus, de que Ele pudesse  ser finito, parecido com o homem de barro.   
XX
1-Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, p. 332;  2-Idem,  p. 1; 3-João 8: 32; 4- Gênesis 1: 27.

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quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Alimentos mais saudáveis

Produção com cuidados ambientais; hábitos modernos

Quando se ouve os modernos nutricionistas mundiais enunciarem suas teorias e práticas, chama a atenção o enfoque acentuado nos alimentos naturais, ou melhor dito, alimentos crus. Dizem que estes são os mais saudáveis para consumo do homem.

Sim, os japoneses são adeptos (em termos) dessa opinião, senão não nos serviriam o sushi e outros quitutes. Acho que as diferenças culturais são as maiores dificuldades a enfrentar para adotar uma dieta de alimentos crus: vegetais e frutas. Eu até hoje não consigo achar o sushi uma gostosura.

Trago o assunto à baila por causa da produção cuidadosa que tal tipo de alimentação exige. Nada de química ou agrotóxicos ou de AGMs (alimentos geneticamente modificados). Produção a mais natural possível. Esse movimento moderno rumo à natureza pura para alimentar o homem virá, certamente, influenciar a produção de frutas e/ou hortigranjeiros em nossas paragens também. Quem primeiro enxergar esse caminho também será desbravador dessa nova técnica de produção agrícola. Será que teremos dificuldade ou coragem de encetar essa nova maneira de produzir alimentos? Seleção e preparação de sementes, preparação de mudas, cuidados de cultivo, transporte e armazenamento, são alguns dos tópicos que exigirão treinamento técnico de nossos produtores; e também de nossos consultores agrícolas, por que não?

Eu ajudaria a criar uma cooperativa especializada em produção de alimentos para consumo “in natura”. O que? Vai demorar muito? Pois eu acho que virá mais depressa do que hoje imaginamos. As mudanças em andamento no mundo e no universo estão se acelerando, e se não mexermos as pernas seremos atropelados pelas demandas dos novos tempos.

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UM POUCO DE OTIMISMO

Otimismo e pessimismo em nossa vida;  sinais e evidências

Viver com otimismo é bem melhor do que tentar viver com pessimismo; digo tentar, porque viver com pessimismo não é realmente viver.

O sentimento de pessimismo me diz que o mundo e a humanidade estão loucamente perdidos, pelos desatinos que praticam e as crises de toda ordem que provocam para as quais não parece haver solução nem interesse geral de solução.

Já o otimismo me adverte que, embora esses desatinos não devam ser copiados nem favorecidos, as crises quando chegam ao viver humano sempre deixam algum saldo positivo, qual seja, o de provocarem uma reação de mudança na consciência das pessoas; mudança para melhor que deve ser bem recebida pois estabelece um novo paradigma para a humanidade. Novo padrão para conscientização e iniciativa.

Com esse novo paradigma nossos relacionamentos, tanto os pessoais como os  comerciais, tomam novo rumo voltando-se mais para a eqüidade, a justiça e honestidade, fatores que são altamente construtivos e fortalecedores para a interação dos membros da humanidade. A desonestidade e os interesses escusos vão sendo alijados do viver diário. Até na política poder-se-á ver em ação uma nova mentalidade, mais condizente com os deveres e direitos de todos, comandantes e comandados, ordenanças e ordenados, eleitores e eleitos, julgadores e julgados. Na escola o interesse principal será o aprendizado e o desenvolvimento de alunos e professores. No trabalho não mais se verá explorados e exploradores, mas sim colaboradores e compensadores. No trânsito haverá harmonia e paciência, autocontrole e controle policial honesto, interesse público de resolver os problemas e competência técnica para planejar soluções.

Esse mundo ilustrado acima chegará um dia e, talvez, não esteja tão longe assim. Há grandes mudanças sendo profetizadas para nosso mundo. Uma grande efervescência já é sensível. Ou por que será que há tantos governos ditatoriais sendo alijados do poder?       As mudanças morais são as que mais me fascinam e acendem minha expectativa. Recolhido em minha fé cristã, fico no aguardo do versículo profético: “Quando vires essas coisas acontecendo” permanece calmo até o fim delas.

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SOLUÇÕES PARA UM MUNDO MELHOR

Tradução extraída da revista National Geographic, Abril de 2009.
(Tr. Ovídio Trentini, 2010)

TUBÉRCULOS QUASE “AUTO-SUFICIENTES”

Para produzir “chips” de batatas necessita-se de água para lavar os tubérculos in natura, cozinhar os ingredientes e limpar o equipamento. Desde 1999 a fábrica Frito-Lay tem aplicado uma série de tecnologias que economizam água visando uma redução de 40% por libra de produto—que em 2008 representou uma economia acima de 3,2 milhões de galões de água (cerca de 9 milhões de litros).

Um modo de economizar mais água é tirar proveito do elevado conteúdo de água nas batatas.  Uma batata fresca contém mais de 80% de água. Normalmente quando uma batata é fatiada e cozida em óleo para fazer os chips, a água se transforma em vapor e é eliminada por uma chaminé. Na fábrica da Frito-Lay de Charlotte, NC, estão empregando uma nova tecnologia de reciclagem de calor que capta esse vapor e o devolve como água condensada para limpar outras batatas. Além disso, o calor extraído do vapor serve para pré-aquecer a água de lavagem de batatas e aquecer o prédio no inverno.
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BIO-COMBUSTÍVEIS

Bio-combustíveis, substitutos da gasolina e óleo diesel, gerados a partir de plantio de milho, soja ou cana-de-açúcar, poderiam reduzir nossa dependência de petróleo e cortar nossas emissões de dióxido de carbono. Contudo, vegetais para combustíveis têm outros impactos.

A maioria dos plantios de milho exigem herbicidas e fertilizantes nitrogenados e podem causar mais erosão do solo do que qualquer outro plantio.(E o plantio direto na palha??) E produzir etanol a partir de milho consome quase tanto combustível fóssil quanto o etanol substitui. Bio-combustíveis produzidos a partir de milho, soja ou cana-de-açúcar consomem plantios e safras que poderiam saciar a fome do mundo.

Mas bio-combustíveis podem ser produzidos sem competir com a produção de alimentos. Explorar a celulose presente nas plantas de milho, em vez dos grãos somente, poderia dobrar a produção de etanol—se for possível desenvolver um modo prático de realizá-lo. Entretanto, alterar quimicamente as instalações de óleo para bio-diesel consome menos energia do que destilar milho em etanol; os resultados são de baixa produtividade e custos elevados. (E extrair álcool do pé da cana de açúcar??)

As algas prometem mais do que outras plantas porque crescem em águas de despejo, até em água do mar, necessitando um pouco de luz solar e dióxido de carbono para florescerem. O desafio, tal como com o etanol celulósico, é reduzir o custo do combustível de algas.

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APROVEITANDO AO MÁXIMO CADA GOTA

A população terrestre de mais de 6,7 bilhões de pessoas está onerando demasiadamente o suprimento de água potável. A ONU afirma que 2,8 bilhões de pessoas sofrerão de escassez de água por volta de 2025 se o consumo continuar como agora. Alguns dos temores de um futuro assustador provêm das projeções de população mundial, estimada em cerca de 9 bilhões de pessoas por volta de 2040.

De toda a água disponível no globo terrestre, apenas uma fração de 1% está disponível para consumo, irrigação e uso industrial. Dez por cento da água consumida no mundo é de uso doméstico. A agricultura ocupa setenta por cento, sendo que metade ou mais é perdida em evaporação e deflúvio. A indústria consome os restantes 20%.

Para conservar água, algumas comunidades estão reavivando antigas técnicas tais como coletar água da chuva, e outras estão usando tecnologias do século XXI. Mas todas as soluções têm duas coisas em comum: um desejo de obter o máximo de rendimento de cada gota d’água usada e uma crença em usar soluções locais e incentivos do mercado em suas campanhas.

Há pesquisadores que acreditam que novas tecnologias, como por exemplo a dessalinização da água do mar, resolverão o problema de um mundo carente de água. No entanto, hoje apenas 0,2% da água usada é dessalinizada. A dessalinização certamente se tornará um processo muito comum, mas há experts que permanecem sépticos quanto à generalização do processo, devido a seu custo elevado.

É na conservação e economia da água que teremos os maiores ganhos. Irrigação por gotejamento, que usa tubulação perfurada para suprir água a plantações, usa de 30 a 70% menos água do que os processos tradicionais e ainda assim aumenta as safras. Há governos que subsidiam tão pesadamente a irrigação que os fazendeiros se sentem pouco atraídos a mudar para sistema de gotejamento ou outros métodos mais econômicos em água. Houve cidades americanas, tais como Boston, Seattle e Albuquerque reduziram de 20 a 25% a demanda de água fazendo reparos em canalizações antigas e monitorando escapamentos/fugas nas redes domésticas. Medidas de reuso da água e adoção de outras medidas conservadoras podem reduzir pela metade a demanda por água das indústrias do mundo. (Obs. do tradutor: em Panambi a perda de água potável na distribuição é de 40%; fonte Corsan).

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segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Escutar o cicio tranqüilo

Como enfrentar “forças” da natureza.

Relata o livro de I Reis (ver 19: 11, 12) que o profeta Elias passou por uma experiência marcante em sua vida. Andava o profeta passando por maus bocados face às ameaças da rainha e também seu remorso por mandar executar muitos dos profetas de Baal. As coisas não andavam fáceis. Na fuga de si mesmo que empreendeu sentiu-se afastado de Deus, com Quem tinha tido tantas experiências fantásticas, de curas e demonstrações de poder extraordinário. Refugiou-se numa caverna e pediu para si a morte, mas em vez dela recebeu do Senhor uma ordem para que se postasse na entrada da caverna.

O que ele então percebeu era o retrato de sua consciência. Demonstrações de forças naturais irresistíveis: vento de furacão, terremoto de fender rochas, fogo destruidor. O que lhe foi mostrado pela inspiração é que o Senhor não estava nessas turbulências. Todo o poderio destruidor material percebido não se igualava ao poder de Deus, foi a percepção do profeta. “O Senhor não estava no vento, no terremoto, no fogo”, mas no “cicio tranqüilo e suave” que veio após as ameaças do vento, fogo e terremoto.

É bom que lembremos disso quando vemos nuvens ameaçadoras se aproximando ou quando ouvimos previsões de tempo inconstante. Essas manifestações de forças naturais colocam em cheque nosso entendimento da Divindade. Para os cristãos Deus é o poder supremo, aliás único e total. Ele é o bem, a Vida, o Amor. Dessas qualidades não provém nenhuma ação devastadora e nelas não há nenhuma força de destruição. A manifestação de Deus e Seus poderes é pura harmonia. Mas como pode Deus não estar no vento ou tormentas se Ele está em toda parte? Esse é o nó que deixamos criar-se em nosso pensamento quando aceitamos o bem e o mal como igualmente reais, igualmente poderosos. Se não queremos essa confusão mental, devemos adotar uma postura firme a favor do melhor partido: o lado espiritual. Gosto do desafio posto por Mary Baker Eddy no livro Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras: “A onipotência tem todo o poder, e reconhecer qualquer outro poder é desonrar a Deus” (p. 228).

As circunstâncias humanas e materiais que se apresentam à nossa atenção terão para nós efeitos danosos ou não, conforme nosso pensamento a respeito. A constância de nosso posicionamento a favor do espiritual, ou seja do poder do Bem, traz para nós resultados compatíveis ao nosso pensamento. Quanto mais absoluto for nosso conhecimento da presença e do poder Divino, tanto mais palpável serão em nossa experiência.
O Mestre Cristo Jesus demonstrou isso quando acalmou tempestade no mar de Tiberíades relatado em vários evangelhos. Os discípulos estavam assustados e temerosos de sua sorte. Jesus, ao contrário, estava dormindo socegadamente. Como podia? Ele não estava com medo. Mostrou, isso sim, seu poder sobre as pseudo-forças naturais. “Repreendeu os ventos e o mar, e fez-se grande  bonança” (Mat. 8: 23). Demonstrou que o poder é de Deus, não dos elementos da natureza.

Quando vejo nuvens grossas se aproximando e prenunciando chuva intensa e ventos fortes, costumo postar-me à janela para ver a chegada desses “monstrinhos”. Enquanto olho as nuvens oro em pensamento que o poder de Deus é único, só Ele tem poder. Não reconheço força ou poder na ameaça natural. Tomo o cuidado de não fazer essa oração por um desejo de controle do tempo ou por interesse pessoal de algum resultado. A oração é para reconhecer e glorificar o poder supremo de Deus. Nenhuma outra expectativa é alimentada. Fico nessa atitude mental, em oração, até que meu pensamento se acalme. Então sigo a fazer o que vinha fazendo.

Penso que se mais pessoas de nossa comunidade exercessem a mesma atitude, é bem possível que não veríamos tantas notícias ou queixas de desastres naturais.

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