quarta-feira, 25 de maio de 2016

O que anda escasso?

A evidência de escassez de algo em nossa vida pode denotar pobreza de pensamento! 

A sociedade humana sente o problema da escassez nos mais diversos aspectos de sua existência. Por todos os lados ouvem-se relatos ou manifestações ou queixumes de riquezas ou bens mal distribuídos; fala-se de falta de dinheiro, de bens, alimentos, trabalho, segurança, saúde, moralidade, etc. Não raro a mente humana culpa o Criador por tais diferenças, como se Ele permitisse que alguns de Seus filhos gozem de abundância e outros sofram de privação. Tolo engano do pensar humano. Esse erro de crença da humanidade sobre a verdadeira natureza do Pai Supremo, a Mente infinita, vem de muitos séculos e é a causa de muitos dos problemas de escassez.

Pode essa manifestação de escassez ser vencida ou modificada? Nos afazeres humanos, na administração pública, nas políticas nacionais, as diferenças podem ser vencidas por gestões honestas e transparentes; já na gestão familiar a escassez pode ser combatida pela orientação de zero-gastos desnecessários. Mas isso não é suficiente. Para acabar com a escassez deve-se chegar à raiz da mesma. E qual é essa raiz? O erro de que a materialidade seja a fonte de todo bem. Quando deixarmos de olhar para a matéria como fonte de suprimento, estaremos tocando a raiz do mal. O mal básico são as crenças materialísticas que abrigamos na consciência.

Uma consciência espiritualizada que se afasta da materialidade como realidade, aproxima-se da consciência semelhante à de Cristo que só reconhecia como real o que está em Deus ou vem de Deus. Deus é Espírito infinito, todo-poder, toda-presença, todo-bem. Como um todo não tem partes ou porções, e esse todo é a fonte de nosso ser e nosso suprimento. O Salmista retratou no Salmo 23 todo seu reconhecimento da Verdade suprajacente:

“O Senhor [Deus infinito] é meu Pastor; nada me faltará” (Salmo 23: 1).

Qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo, em qualquer tempo, que abrigue tal entendimento do fato divino, cantará com o Salmista. Quem mantiver tal reconhecimento na consciência, sem qualquer vacilação ou dúvida, nunca sofrerá de escassez, mas gozará de abundância. O segredo na aplicação dessa regra está na firmeza da convicção do fato. As mensagens espirituais da Bíblia nos dão o rumo:

“A fé é a certeza de cousas que se esperam, a convicção de fatos que não se vêem” (Hebreus 13:1)

A fé absoluta é a convicção dos fatos espirituais que não são percebidos pelos sentidos físicos porque não fazem parte do mundo material, embora este mostre os efeitos da presença e ação dos fatos espirituais. A força geradora não é vista, mas os efeitos sim.

Os leitores que valorizam a mensagem bíblica encontram diversos relatos de superação de recursos limitados diante de necessidades humanas. O Mestre Cristo Jesus demonstrou mais de uma vez a suficiência de alguns pães e peixes para alimentar multidões, que o seguiram ao deserto para ouvir sua mensagem e constatar suas curas. Moisés demonstrou superação de escassez de água em um lugar privado do líquido precioso e vital. Obedecendo a ordem divina, foi ao local onde só havia umas rochas. Após golpear uma delas, jorrou água em abundância para o povo e o gado.

Houve um incidente com Pedro e Jesus que contém um ensinamento para os dias de hoje. Era na época da coleta de imposto pelo império romano. O Mestre e seu discípulo não tinham isenção de tal obrigação fiscal. Foi Pedro quem avisou o Mestre sobre essa questão. Jesus disse a Pedro que fosse pescar e do seu trabalho obteria o dinheiro necessário. Pedro obedeceu e a demanda foi atendida.

“Vai ao mar, lança o anzol, e o primeiro peixe que fisgar, tira-o e, abrindo-lhe a boca, acharás um estater. Toma-o e entrega-lhes por mim e por ti” (Ver Mateus 17: 24-27).

Qual o ensinamento para nós nesse relato? O Mestre mandou que Pedro fizesse aquilo que era de sua profissão: pescar. O modo de empregar essa aptidão, sendo de acordo com a lei de Deus, é fonte de suprimento para necessidades humanas. Vale para nós: quando a integridade e a ética orientam nosso labor, podemos confiar em Deus para a retribuição suficiente e adequada. Confiança dessa verdade e convicção de sua eficácia, que embasem nosso trabalho, sempre produzirão frutos abundantes.

O Mestre Jesus, em seu sermão no monte, enfatizou a seus ouvintes (e seguidores até o dia de hoje) que a preocupação com nossa dispensa ou roupeiro não deve estar em primeiro plano. Disse:

“Não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos?” (Mateus 6: 31).
Ele mesmo propõe a solução:
“Buscai em primeiro lugar, o Seu reino e a Sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Idem 6: 33).

O sábio rei Salomão escreveu em seus livros de sabedoria:

“Deveras me apliquei a todas estas cousas para entender tudo isto: que os justos, e os sábios, e os seus feitos estão nas mãos de Deus” (Eclesiastes 9: 1).

O que aprendi desse versículo é que quando atuamos com sabedoria e justiça em nossos afazeres (demonstrando atributos morais que se manifestam em honestidade, pontualidade, respeito aos demais), não buscando a retribuição em primeiro lugar, o fruto de nosso trabalho vem das mãos do Pai Divino. Este sempre retribui conforme nossa atuação e nossa consciência de união a Ele.

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sexta-feira, 20 de maio de 2016

Não tropeçar numa irrealidade

Tropeços ao caminhar muitas vezes são causados por pequenas saliências que descuidamos em nosso caminho. Grandes obstáculos são facilmente vistos e desviados. Os pequenos geralmente são despercebidos até nos causarem uma queda ou quase queda.
Em nossa vida também encontramos todo tipo de motivos de tropeço: medo, rancor, ódio, ignorância, doença, desafios de toda ordem. Alguns afetam nossa integridade física, outros ameaçam nossa integridade moral, quando não a espiritual.
A Bíblia, com suas mensagens voltadas à perfeição do Deus criador e Sua maravilhosa criação, nos oferece muitas passagens que deixam bem claro a quem podemos recorrer para nos protegermos de “tropeços” de toda ordem. Gosto muito, por exemplo, da seguinte mensagem:
O Senhor “aos seus anjos dará ordens a teu respeito, para que te guardem em todos os teus caminhos. Eles te sustentarão nas suas mãos, para não tropeçares nalguma pedra” (Salmo 91: 11, 12)
Nesses versículos o salmista mostra seu discernimento de verdades espirituais que guiam e norteiam—ou deveriam nortear—nossas  vidas. Os anjos de Deus, que têm ordens do Pai para nos protegerem, são os pensamentos ou intuições divinas que nos vêm durante a oração ou em momentos de necessidade. As “pedras” de que eles nos protegem não são materiais; são percalços mentais que albergamos no pensamento e que fustigam o pensar claro. Esse pensar claro é nossa resposta aos anjos de Sua presença que nos protegem de qualquer circunstância quiçá ameaçadora.
Quem estuda a Ciência do Cristianismo aprende a reconhecer como irrealidade as circunstâncias ou ameaças materiais por serem opostas às criações de Deus-Pai. Tudo o que pertence ao reino, domínio ou universo de Deus tem dEle a chancela da realidade. Deus como Verdade e Mente criadora cria todas as formas de realidade, com as quais convivemos mental e espiritualmente. O apóstolo Paulo deu a dica dessa proposição:
“Nele vivemos, nos movemos e existimos” (Atos dos Apóstolos, 17: 28).
Algumas formas de realidade são a saúde, a alegria, a felicidade, a força, a inteligência, a coragem, e assim por diante. Seus opostos são, portanto, formas de irrealidade. Assim, temer a doença, por exemplo, é aceitar uma irrealidade pois sempre tememos o que nos parece real. Sentimos algum sintoma adverso e já vem a sugestão de que algo doentio esteja se evidenciando no corpo. Por isso temos medo dela. Esse medo da doença ou de alguma moléstia é como uma pedra de tropeço em nossa fé cristã, pois na fé não há medo; há confiança e certeza. Em nossas considerações sobre a existência do homem, temer a doença é como tropeçar numa irrealidade. Crer no mal, de qualquer tipo, é tropeçar numa irrealidade.
Às vezes esse tropeço nos derruba pessoalmente. O que fazer então? É fazer o que faz uma pessoa que tropeça numa pedra ou saliência no piso. É levantar-se e refazer o passo sobre o obstáculo para demonstrar a si mesmo que pode superar essa adversidade. Os tropeços espirituais representados pelo medo ou angústia tenderiam a nos fazer crer na irrealidade, alimentados que são pelos sintomas evidenciados pelo corpo. Esse é o processo mental que se dá em nossa consciência. Acreditamos nos sintomas e sofremos com isso; mas a compreensão de que o mal é irreal como oposto ao Bem, expulsa o medo e, com isso, remove o tropeço em nossa existência. Então, não tropeçamos numa irrealidade.
Mary Baker Eddy, autora do livro Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, um livro de texto de metafísica aplicada da Ciência do Cristianismo, escreve:
“Quando a ilusão da doença ou do pecado te tentar, agarra-te  firmemente a Deus e Sua ideia...Não deixes que o medo ou a dúvida [ou seja, os tropeços] obscureçam tua clara compreensão [espiritual] e tua calma confiança [na realidade do bem]...” (CeS, p. 495).
Há algum tempo tive uma experiência que me comprovou o ponto em foco. No meio da noite me acordei sentindo uma dorzinha no peito. Junto com a sensação vieram pensamentos de temor. Não me assustei mas reconheci que esse medo estava por trás dos sintomas. Por isso em minha oração tratei de afastar o medo. Minha arma de combate foi a oração, inspirada pelo Salmo 91, cujos versículos foram mencionados acima. Confortou-me o pensamento de que Deus me protegia por meio de Seus anjos que me sustinham para não tropeçar nalguma pedra. Percebi que na minha frente estava o medo querendo me fazer tropeçar: medo de uma irrealidade que não fora nunca nem será jamais criada ou permitida pelo Criador. Quando vi com clareza este aspecto do mal, senti que o medo não me ameaçava mais; havia sumido. Ficou só a gostosa e feliz sensação da presença de Deus-Pai-Mãe como a Verdade dos fatos reais. Segui dormindo sem qualquer sentido de desconforto.

PONTO METAFISICO:
O homem criado à imagem e semelhança do Deus único está sempre consciente de sua condição de perfeição espiritual. Esse é o estado de existência real do homem, verdade que vale para mulheres e homens de qualquer idade, raça ou geografia. Na Ciência divina nenhum outro estado de existir é reconhecido como real. Na medida em que nos apercebemos dessa Verdade metafísica, ela orienta nossos pensamentos para ações e movimentos sem tropeços de qualquer natureza.


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domingo, 24 de abril de 2016

“Me ama; Me guarda; Me guia”

 “Pai-Mãe-Deus, que me ama,
Guarda-me quando durmo,
Guia meus pezinhos para junto de Ti.”
Mary Baker Eddy

O poema acima é uma oração para crianças antes de dormir. Foi musicada para servir de canção de ninar. Embora pensada para uma criança aprender a oração, na sua simplicidade, as palavras contêm algumas profundas e básicas verdades, que os adultos podem aproveitar para sua inspiração. Digo isso porque eu  mesmo faço proveito desse recurso.
Fiz da poesia um resumo com ideias básicas, e estas estão escritas na linha de frente de minha consciência. Aprendi a orar:
“Deus, meu Pai-Mãe:Me ama; me guarda; me guia”.
A todo momento posso repetir, e repito mesmo: “Tu me amas, me guardas, me guias”. A expressão pode servir de base para uma pesquisa nas Sagradas Escrituras. A título de curiosidade vou reproduzir o desdobramento de uma dessas pesquisas metafísicas; vale apenas como exemplo, pois cada pessoa tem sua própria índole de buscar fontes para sua inspiração.
1.      Amor        
“Deus-Pai-Mãe me ama.”
O Amor do Pai é infinito, inclui a todos como filhos e filhas, sem discriminação, é incessante e invariável, é fiel e fidedigno, é envolvente e caloroso. Por Ele somos supridos em nossas necessidades, aprendemos a amar nossos semelhantes, pois o Amor se reflete em amor, o que também pode ser dito: o Amor se reflete em amar. Atitude que tem plena relação ao que o apóstolo João escreveu:
“Nós amamos porque ele nos amou primeiro” (1 João 4: 19).
Das muitas referências bíblicas a respeito do Amor de Deus, uma nos vem logo à memória: Salmo  23, o salmo do Pastor e seu amor pelo rebanho humano. O texto é largamente difundido como inspiração em momentos difíceis. Mas adquire uma significação especial, quando o traduzimos para “eu e o Pai”, ao mesmo tempo em que usamos os verbo no tempo presente. Sugiro ao prezado leitor que faça esse exercício. Vou citar as primeiras frases, e você leitor segue o texto na mesma linha:
    “Pai, Tu és meu pastor, nada me falta.
    Tu me fazes repousar em pastos verdejantes ...”
Depois de assimilar o Salmo 23 nessa linha de inspiração, tenho mais uma sugestão. Eddy expõe um significado metafísico do mesmo Salmo quando demonstra o elevado valor  inspirativo de seu conteúdo:
“O Amor [divino] é meu pastor; nada me faltará.       O Amor me faz repousar...” (CeS, p. 578)
No livro “A Espiritualidade da Bíblia – Crônicas e Pai-Nosso” consta o Salmo citado na forma de uma carta do amor do Pai-Mãe ao Seu filho—cada um de nós. Garanto ao estimado leitor que nunca mais terá dúvidas de que Deus                                                NOS AMA.

2.      Guarda

“Deus-Pai-Mãe me guarda”
O termo guardar tem conotações distintas conforme se refira ao pessoas ou a Divindade. Para as pessoas o termo “guardar” tem geralmente o valor de “dever” em relação a leis ou regras, ou de “economizar” em relação a coisas e valores. Mas o termo “guardar” com relação a Deus significa proteger, resguardar, cuidar, suprir/prover, amparar. O salmista cantou essa relação:
    “Guarda-me, porque em Ti me refugio” (Salmo 16: 1).
Aliás os Salmos têm inúmeras referências ao termo guardar. No Salmo de número 91, é apontado como o Pai-Mãe nos inclui em seu cuidado e guarda:
“Aos Seus anjos dará ordens a teu [nosso] respeito, para que te guardem em todos os teus caminhos. Eles te [nos] sustentarão nas suas mãos para não tropeçares nalguma pedra” (Salmo 91: 11, 12).
 Eddy complementa a ideia bíblica:
“A Mente divina, que forma o botão e a flor, cuidará do corpo humano, assim como alimenta e veste os lírios; não interfira nenhum mortal no governo de Deus, introduzindo as leis dos falíveis conceitos humanos” (CeS, p. 62).
Moisés, o notável líder hebreu, deixou para seu povo uma bênção, a qual podemos absorver para nosso íntimo:
“O Senhor te abençoe e te guarde; o Senhor faça resplandecer o rosto sobre ti e tenha misericórdia de ti; o Senhor sobre ti levante Seu rosto e te dê a paz” (Números 6: 24-26).

3.   Guia

“Deus-Pai-Mãe me guia”

Que Deus nos guia é uma garantia para nós de que estamos no melhor caminho. De Deus temos orientação, temos suprimento de ideias e pensamentos para decisões, somos providos de intuições que são o meio do Pai-mãe nos passar instruções ou orientações. Sempre que precisarmos Deus nos comunica ideias adequadas ao atendimento de alguma necessidade humana. O salmista tinha experiência na questão de deixar-se guiar por Deus, confiando em Seu poder. Em vários Salmos ele registrou sua convicção:

“Se tomos as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares, ainda lá me haverá de guiar a tua mão e atua destra me susterá... Sonda-me, ó Deus, e conhece meu coração, prova-me e conhece meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho [pensamento] mau e guia-me pelo caminho eterno” (Salmo 139: 8,9, 23, 24).
Bem faríamos em seguir o apelo do salmista de pedir que Deus examine nossos pensamentos e os corrija, se necessário. O salmista não se cansa de apelar a seu Deus:
“Ensina-me a fazer a tua vontade, pois tu és o meu Deus; guie-me teu bom espírito por terreno plano” (Salmo 143: 10).
O que é um terreno plano senão um local sem percalços e obstáculos? É como desejamos que seja nosso caminho humano, não é mesmo? Eddy nos dá mais um forte motivo para buscarmos sempre a orientação com o divino Pai-Mãe:
“Tudo o que guia o pensamento espiritualmente, beneficia a mente e o corpo” (CeS, p. 149).
Eis uma boa indicação para deixarmos o pensamento ser guiado espiritualmente, pois isso nos coloca no “caminho eterno”, que é plano e desembaraçado. Para onde nos leva esse caminho indicado pelo Amor? Eddy nos dá a resposta:
“Assim como os filhos de Israel foram guiados triunfalmente através do Mar Vermelho, ... da mesma forma,  a ideia espiritual guiará todos os desejos corretos na sua passagem dos sentidos para a Alma, de um senso material de existência para o  espiritual, elevando-nos à glória preparada para aqueles que amam a Deus” (CeS, p. 566).
Voltando ao tema da crônica, meu exercício metafísico é repassar em pensamento, rapidamente, cada aspecto: “Me ama, Me guarda, Me guia” sob a luz dos argumentos explicitados. A calma e a serenidade que recebo não tem palavras para explicar.
 Só posso recomendar! Vale a pensa vivenciar!

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sexta-feira, 25 de março de 2016

HINO 224

Hinário da Ciência Cristã
1.      Apraz-me em Ti pensar, Senhor, / De Ti dependo eu;
Afastas todo meu temor, / Fiel amigo és.
E quando tudo mais falhar, / Só Tu me restarás;
Que satisfeito, possa eu, / Teu nome celebrar.

2.      E todo o bem que pode haver, / de Tua fonte vem.
Já tudo tenho em meu viver, / Pois Deus é eterno bem.
Mais forte seja a minha fé, / P’ra ver além do véu,
E crer então no Salvador, / No Verbo redentor.

3.      Aquele que meu céu firmou, / Sustento aqui dará;
Se Cristo tudo me legou, / Que pode me faltar?
Nas mãos de Deus me entregarei, / Por fim vou triunfar.
De hoje em diante buscarei / Louvar-te sem cessar.

     Os versos deste hino me são muito gratos pela inspiração que propiciaram  em várias ocasiões. Vou mostrar como uso a inspiração de cada frase do hino.
1)     “Apraz-me em Ti pensar, Senhor”:                                                                Tenho prazer nos Teus decretos e inspirações, Meu Pai-Mãe;
“De Ti dependo eu”:                                                                                          Sem a Tua ajuda ou ação sou nada; Tu me dás forças e inteligência para qualquer realização.
“Afastas todo meu temor”:                                                                      Com a consciência de Teu Amor presente o medo se vai.
“Fiel amigo és”:                                                                                        A Tua fidelidade e benevolência me mantém.
“E quando tudo mais falhar”:                                                                Sejam ameaças ou ajudas inúteis.
“Só Tu me restarás”:                                                                                             És o primeiro e último socorro; não procuro outra ajuda.
“Que satisfeito possa eu”:                                                                                           Terei total alegria em Tua ajuda.
“Teu nome celebrar”:                                                                                            Nenhum outro nome honrar.

2)     “E todo bem que pode haver”:                                                                            Tu és a fonte de suprimento para minhas necessidades.
“De Tua fonte vem”:                                                                                    Nenhum bem em minha vida tem outra origem.
“Já tudo tenho em meu viver”:                                                                         Plena satisfação de necessidades e benevolências.
“Pois Deus é o eterno bem”:                                                                                       Além de eterno é infinito, sem limites de tempo ou espaço.
“Mais forte seja a minha fé”:                                                                                       Para cumprir Teu mandado.
“P’ra ver além do véu”:                                                                                                    A visão material não ajuda nesse afã.
“E crer então no Salvador”:                                                                                           O Teu Cristo que me apoia sempre.
“No verbo redentor”:                                                                                                   Tua Palavra tem a solução para meus problemas humanos.

3)     “Aquele que meu céu firmou”:                                                                            Tu és o que firma meus passos e vida.
“Sustento aqui dará”:                                                                                       Aqui e agora tenho soluções à disposição.
“Se Cristo tudo me legou”:                                                                                Tua Verdade supre todas minhas necessidades
“Que pode me faltar?”:                                                                                  Nada, absolutamente nada me falta.
“Nas mãos de Deus me entregarei”:                                                                  No cuidado do Pai-Mãe posso confiar.
“Por fim vou triunfar”:                                                                                      Posso ter a certeza no final feliz.
“De hoje em diante buscarei”:                                                                         Meu objetivo de vida.
“Louvar-Te sem cessar”:                                                                                  Dar cumprimento à oração: “Santificado seja o Teu nome!”

Associando a esse texto de profundo significado espiritual e que eleva nossa alma ao paraíso a bela melodia do hino, tem-se uma joia de inspiração para mente e coração, razão e sentimento, capaz de afastar pensamentos de angustia ou temor, pressentimentos ou ressentimentos.

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terça-feira, 8 de março de 2016

O que você pede a Deus?

Para fazer um pedido a Deus tem de saber pedir

Os cristãos são ensinados a rogar ou pedir a Deus por suas necessidades. Nada mais acertado. Mas cada pedinte deveria ter bem claro os motivos para fazer o pedido, as expectativas de atendimento, a certeza do merecimento. Uma coisa que precisa estar claro também é que o Pai atende necessidades humanas, não vontades humanas.

A indagação do título desta crônica faz parte de uma família de questões de fé. Cada pergunta tem uma questão implícita que pode encaminhar devidamente nossa petição.

O que você pede a Deus? Sabe-se que alguém faz uma petição a Deus porque tem alguma necessidade, ou melhor, sente falta de algo que muito quer: bens, suprimentos, dinheiro, carros, casas, coisas medidas em quantidades; conhecimento, superar obstáculos, expressar mais qualidades boas. O que você está pedindo é algo que o Pai normalmente supre a Seus filhos? Você sente falta desse “algo”? Parece que Deus lhe esqueceu ou excluiu do rol de beneficiados? Corrigir esses pensamentos é um passo que deveria anteceder o pronunciamento da petição.

A quem você se dirige quando faz um pedido? Você tem em mente um Ser Supremo que ama Sua criação e zela por ela, ou faz o pedido a um ser antropomórfico sentado num trono no céu, de longas barbas brancas, observando os homens para ou ajudar ou castigar? Este é o Deus apresentado à humanidade há séculos e aceito como único. Se for este seu conceito a  respeito da Divindade Infinita, recomendo uma reformulação, pois tal Ser imaginado não é Deus e não pode fazer nada. Você se dirige em oração diretamente a Deus ou a algum intermediário? Veja bem a quem dirige seu pedido.

Quando você faz um pedido a Deus? De vez em quando, conforme as necessidades ou circunstâncias? Isso não é suficiente, pois dá a impressão que você só se lembra do Pai divino e Todo-poderoso quando algum problema aperta. Quando foi a ultima vez que pediu algo ao Pai?

De que modo você faz o pedido? Em sagrado recolhimento, ou abertamente para que outras pessoas saibam? Quanto mais reservado o momento da petição tanto mais próximo você se sentirá do Pai e mais certo será o atendimento. O pedido que fazemos a Deus é assunto reservado aos dois interessados – você e Deus. É um momento sagrado que não pode ser compartilhado para não ser espoliado. O modo de fazer um pedido corretamente foi ensinado pelo Mestre Cristão, Jesus Cristo:

“Quando orares, entra no teu quarto e, fecha a porta, orarás a Teu Pai que está em secreto; e Teu Pai que vê em secreto te recompensará abertamente” (Mateus 6: 6).

Não se esqueça de que Deus conhece nossos pensamentos antes mesmo que expressemos em palavras.
Você sente que merece receber o que é pedido?  A expectativa de atendimento mostra uma sintonia de alma e mente com o Doador, Deus, e demonstra afinidade e proximidade espiritual. Cito novamente o que Cristo Jesus que recomendou:
“Por isso, vos digo que tudo quanto em oração pedirdes, crede que recebestes, e será assim convosco” (Marcos 11: 24).
Quem é merecedor do atendimento se predispõe a ser grato antes mesmo de ver o resultado de sua petição.

Pedir a Deus é como pedir a um amigo?  Pode ser, se consideramos o Pai Supremo como o identificou Jesus no Pai-Nosso: “Abba-Pai”, ou seja, papai!. Pedir algo ou um favor a um amigo nos deixa na expectativa de receber o que foi pedido.

Você sente gratidão junto com a expectativa?  A sensação de alegria junto com a expectativa de uma resposta positiva do Pai-Mãe, aliada ao entendimento de que Deus já atendeu, abre o caminho para o sentimento de gratidão antecipada. O Mestre Cristão deu exemplo dessa disposição no evento da ressurreição de Lázaro:
         “Pai, graças te dou porque me ouviste” (João 11: 41).
Mary Baker Eddy também cita esse sentimento nobre:
“Somos realmente gratos pelo bem já recebido? Então... estaremos preparados para receber mais” (CeS, p. 3).
Você está pronto para uma resposta negativa? Esta é uma pergunta um tanto desafiadora; mas ela é válida nos casos em que estamos pedindo algo que não servirá para nosso adiantamento moral e espiritual. Aqui entra o fator humildade na questão do pedir a Deus. Conta-se que um garoto era conhecido por suas orações a Deus. Certa feita, no âmbito de uma exposição de animais, ele gostou especialmente de um pônei. Então, recomendaram-lhe que pedisse a Deus. O que o garoto fez. Dali a pouco foi novamente interpelado, face a não concretização do pedido. “Deus não ouviu tua oração?”.  “Ah, ouviu sim, mas Ele disse Não!” Essa disposição pura e inocente e do garoto serve de exemplo para nossa disposição ao fazer um pedido a Deus.

PONTO METAFISICO:
Pedir a Deus por causa de uma carência, tem na base um pensamento e reconhecimento dessa falta, de que carecemos de algo. Sabendo, sempre, que Deus tem o suprimento pronto, nos ajuda a afastar “ganchos” que tenderiam a trancar ou reter a solução de se manifestar visivelmente em nossa experiência. As diversas perguntas que foram formuladas acima servem para remover esses “ganchos”. A fixação do pensamento em algo que nos falte, quero dizer que  parece nos faltar, precisa ser erradicada para vermos o caminho livre até a consecução do pedido.

Jesus Cristo tinha um pensamento livre de limitações sugeridas pelo senso material. Seu “segredo” ele revelou no Sermão da Montanha:

“Deus, vosso Pai, sabe o de que tendes necessidade, antes que lho peçais” (Mateus 6: 8).

Uma dúvida atroz talvez assalte o pensamento humano desavisado: “Se Deus sabe o que preciso, porque Ele me deixa passar necessidade ou me deixa sofrendo?” A quem faça tal indagação está na hora de saber que a visão de carência humana é pura ilusão mental, qualquer que seja sua natureza ou forma visível. Por isso é que Jesus ressaltou a seus seguidores, como foi indicado acima: crede que já recebestes, é o  mesmo que dizer: saibam que nada lhes falta!

O ímpeto/impulso de nos dirigirmos a Deus por algo que desejamos ou queiramos é sinal de fé cristã que encontra no Salmo da Proteção uma forte ajuda, e que promete ajuda a qualquer tipo de petição:

“Eu salvarei aqueles que me amam e protegerei os que reconhecem que eu sou Deus, o Senhor. Quando eles me chamarem, eu responderei e estarei com eles nas horas de aflição. Eu os livrarei e farei com que sejam respeitados. Como recompensa, eu lhes darei vida longa e mostrarei que sou o seu Salvador” (Salmo 91: 14-16, NTLH)

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