quinta-feira, 30 de abril de 2015

COMUNHÃO NA NATUREZA

            O ser humano se relaciona de muitas maneiras com a natureza. Às vezes aproveita a natureza para seu lazer e educação, outras se aproveita da natureza visando lucros e bem-estar financeiro. Muitos esposam o conceito de que a natureza é composta de seres diversos dentro de uma suposta gradação de inferiores até superiores--entre estes a raça humana.

            Filósofos e pensadores de toda índole há tempo procuram doutrinar ou sensibilizar a humanidade para que ela se veja como pertencendo à natureza, e não esta àquela. Pensadores e profetas religiosos também dedicaram boa parte de suas preleções  à questão da relação natureza x homem. A Bíblia ao acentuar a igualdade entre os seres humanos declara: “Não nos criou o mesmo Deus?” (Malaquias 2:10). Aplicando o mesmo argumento bíblico à relação do homem com a natureza podemos facilmente concluir, tendo por base o relato genesíaco da criação: “Sendo o homem e a natureza criados pelo mesmo Deus, tendo ambos um Criador em comum, então tem relações de proximidade; são como que parentes.”

            Eu entendo essa proximidade ou união com a natureza pelo seguinte ângulo: quando alguém vê uma árvore que lhe prenda a atenção por algum detalhe, essa árvore passa a fazer parte da consciência dessa pessoa. A partir daí o homem e a árvore não são mais separados; a árvore faz parte  da consciência do homem e o homem faz parte da vida da árvore. Esse evento sagrado e’ o que chamo de “comunhão na Natureza”.

            Quando se vê uma árvore ser abatida, ou se ouve notícias com imagens de grandes áreas de mata devastada, e’ algo que dói na alma da gente porque sentimos como se membros de nossa família tivessem sido abatidos nalguma guerra desalmada. Conforta saber que ha’ pessoas que se dispõem a defender as matas e mobilizar-se para ações efetivas. Para quem vive no sul do Brasil e participa duma ONG ambiental, como eu, as agressões à floresta amazônica parecem longínquas e fomentam um sentimento de impotência para alguma ação. Procuro sempre transmitir aos meus pares que nossas mãos podem parecer amarradas, mas nosso pensamento não está e ele pode orientar ações que estejam ao nosso alcance. Através do pensamento inspirado pela oração nossa ação mental tem alcance ultrageográfico e atemporal. Podemos aqui no sul orar por pessoas e natureza situadas no outro extremo do país.

            Mas por que orar pela natureza? A intenção básica e' proteção do que existe. As grandes matas do Brasil oferecem abrigo e habitat para muitas espécies da flora e da fauna, as quais são ameaçadas de extinção quando o bioma em que existem é devastado.  Cabe aos seres humanos protegerem as florestas como sua própria “casa”, pois sua sobrevivência também depende de um lugar limpo—natureza integra e equilibrada. Nosso bem-estar futuro estará de acordo com ações do presente. 

Movimentos e organizações ambientalistas e ecologistas somam esforços para conduzir a humanidade a uma mudança de consciência que seja favorável à natureza ou meio ambiente. Essa mudança está em marcha e vai, cada vez mais, agregando pessoas de todos os níveis administrativos e de todas as latitudes. Assim, aos poucos, vê-se surgirem aqui e ali ações concretas no âmbito político-administrativo, ou uma nova lei de proteção, novas medidas de repressão, um novo ministério, uma nova governança, etc.

A sensibilização tem que chegar à consciência do consumidor, em nível individual ou empresarial. E há muitos tipos de envolvimento sob este aspecto: preferir produtos sem agrotóxicos, materiais com extração ecologicamente correta, negar consumo de produtos oriundos de desmatamentos ou extrações ilegais e desmesurados, ou de áreas ilegalmente ocupadas ou processos que não atentem ao bem-estar do animal e das comunidades. Já’ existe bastante literatura que orienta os consumidores individuais a escolherem produtos ditos “verdes”  para seu uso pessoal. Também há organizações que ajudam o consumidor consciente estabelecendo marcas e selos que identificam produtos favoráveis ao meio ambiente. Há também supermercados que vendem produtos agrícolas “verdes” aos quais podemos recorrer na compra consciente.

Voltando à questão da oração em favor do meio ambiente, gosto de pensar e aplicar a exposição que Mary Baker Eddy fez em Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, na abertura do capítulo A Oração: “A oração que reforma o pecador e cura o enfermo é uma fé absoluta em que tudo é possível a Deus—uma compreensão espiritual acerca dEle, um amor abnegado” (p. 1). Para certificarmo-nos da eficácia dessa oração de 3 ingredientes espirituais, temos de aplicá-la às questões da vida diária. Tive ha’ alguns anos uma prova de que a oração funciona, quando me acordei de madrugada com forte azia estomacal. Pus-me imediatamente a orar a Deus e o que me veio ao pensamento foi a frase citada acima. Repassei detidamente cada um dos ingredientes da oração eficaz. O primeiro, que se refere ao que Deus pode fazer, exige que reconheçamos que Deus pode tudo, que nada Lhe é impossível; reconhecimento esse que tem de ser absoluto, i. é, sem qualquer vestígio de dúvida: fé’ absoluta e certeza absoluta. O segundo ingrediente fundamental é que tenhamos uma compreensão espiritual acerca de Deus. O que quer dizer isso? A compreensão espiritual acerca de Deus começa com o reconhecimento da infinidade de Deus, Seu absoluto poder e sabedoria, Seu amor que inclui tudo e a todos. A compreensão espiritual desvincula o Criador  e Sua criação de qualquer aspecto da matéria ou do mal. A compreensão espiritual faz declarações afirmativas decisivas acerca do Deus onipotente  e Sua criação eterna. O terceiro ingrediente, amor abnegado, refere-se ao tipo de amor que devemos ao nosso próximo, e que deve refletir o Amor divino o qual inclui a todos sem distinção e ama porque é amor.
 
Em meio a esses pensamentos elevados a sensação de azia desapareceu. Não sentia mais nada; mas ficou como saldo a forte convicção de que deveria melhorar meus sentimentos acerca de alguns parentes, cujo posicionamento inesperado em meio a uma troca de idéias havia causado uma certa insatisfação em mim. Meu amor a eles precisava ser purificado, precisava ser abnegado. Quando purifiquei mentalmente meu pensamento com essa condição espiritual,  a condição física desapareceu. A Sra. Eddy esclarece: “Tudo o que mantém o pensamento humano em linha com o amor abnegado, recebe diretamente o poder divino” (CeS, p. 192). Relatei essa pequena experiência para demonstrar minha convicção da eficácia da oração quando recheada espiritualmente. Aplicar a oração à questão ambiental sugere, inicialmente, algo vago. Mas quando se substitui na frase citada anteriormente o termo pecador  por “poluidor, destruidor, predador” o enfoque ambiental fica claro. Dos 3 ingredientes espirituais, parece-me que o “amor abnegado” exigirá mais afinco de quem ora para poder incluir a todos. Um cristão lembrar-se-á do mandamento do seu Mestre “Amai os vossos inimigos” (Lucas 6:27) injunção que exige que não excluamos ninguém de nosso amor nem do amor de Deus. Qualquer pecador só será tocado por nossos pensamentos  se  estes estiverem impregnados de amor abnegado.  E não e’ isso o que se quer? Que o pecador (ou seja, o predador, o poluidor) seja inspirado a deixar de agredir o meio ambiente?

Quanto mais pessoas de bem abraçarem a causa da defesa das matas usando o instrumento espiritual que o Cristianismo oferece, mais cedo ver-se-á sinais efetivos de mudança na consciência da humanidade.

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domingo, 26 de abril de 2015

Orar por nós!

Dever e privilégio de cada um

Contam os evangelhos que Cristo Jesus muitas vezes passava a noite em locais isolados, orando, e que de manhã o povo ia ter com ele no templo, e os doentes eram curados. Por quem orava Jesus nessas ocasiões? Acho que orava por sua missão, sua proteção, pela humanidade; não sabemos ao certo. O que sabemos é que o Mestre voltava fortalecido espiritualmente e pronto para agir em favor da humanidade; por isso curava tanta gente.

Também nos relatos dos evangelhos lê-se que Jesus muitas vezes alertava seus discípulos quanto à necessidade de estarem vigilantes em relação às astutas artimanhas do diabo, o maior inimigo. No horto, antes de ser preso, Jesus orava e seus discípulos dormiam: “Nem uma hora pudestes vós vigiar comigo?” (Mateus 26:40). Eles não estavam apercebidos da importância histórica daquela hora; nem o apelo angustiado de seu Mestre querido os motivou à vigília.

Nós cristãos, que aceitamos e nos propusemos a seguir Cristo, devemos observar nossas atitudes no viver diário se não se parecem com o despreparo dos discípulos naquela fatídica noite em Jesus foi preso, torturado, injustiçado e sacrificado. “Vigiai e orai” é a recomendação constante do Mestre cristão. Acaso a obedecemos?
Certa feita ele recomendou: “Tira primeiro a trave do teu olho; depois verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão” (Mateus 7:3). Devemos tratar primeiro de limpar nosso pensamento e  nossas atitudes de toda ação ou iniciativa que não condiga com os deveres cristãos. No Sermão do Monte Jesus também alertou: “Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus” (Mateus 5:8).

Vê-se que o Mestre se importava que seus seguidores (de qualquer época) se ocupassem, vale dizer vigiassem para a manutenção de sua consciência no caminho ensinado por ele, de mantê-la pura e livre de injunções mal direcionadas da mente mortal (ou diabo). Só temos condições de ajudar o próximo quando nós estamos em condições adequadas de harmonia com a Mente divina. Assim orar por nós—vigiar—é a ação que nos põe em condições de ajudar o próximo. Quanto tempo devemos dedicar a essa tarefa? Minutos, horas? Depende da ocupação pessoal e inclinação espiritual de cada um. Uma coisa é certa, suas atividades transcorrerão de modo harmonioso e satisfatório para si e para todos os envolvidos. Gozaremos de proteção, nós e os envolvidos em nossas orações.

Gosto de preparar-me para o dia, com a Oração Diária dada por Mary B. Eddy no Manual da Igreja: “Estabeleça-se em mim o reino da Verdade, da Vida e do Amor divinos, e elimine de mim todo pecado.” (Manual, p. 41 ).  Até aqui a preparação individual. Depois de eliminado o pecado de mim, posso ver com clareza o caminho/meio para ajudar o próximo. Deixando que o Amor e a Verdade dominem em mim, minhas atitudes e ações serão de solidariedade, compaixão, fortaleza moral e espiritual. Não é disso que a humanidade precisa?

Depois de purificado meu ego, estou pronto a orar pela humanidade com o restante da oração mencionada acima: “Que Tua palavra enriqueça os afetos da humanidade, e os governe”. Muito linda a colocação da ideia de deixar a Deus a tarefa de “enriquecer [ou aprimorar] os afetos da humanidade”.  Isso significa reconhecer que Deus tem infinitamente melhores condições de realizar a tarefa de aprimorar as afeições e interesses do gênero humano. Não nos cabe definir tarefas para o Pai-Mãe infinito, mas sim reconhecer Sua presença e Seu poder supremo e irresistível para tal tarefa.

O Cristão pode encontrar muitas fontes de inspiração para a tarefa de orar por si. Os Salmos, o Sermão do Monte, epístolas dos apóstolos (p. ex. 1. Corintios 13), e tantas outras passagens bíblicas. O que o cristão não pode fazer é negligenciar seu dever de vigilância e oração por si e suas atividades. Orar por si, sua proteção e seu progresso, é o compromisso que o Cristão herdou com a doutrina legada pelo Mestre Cristão—uma religião prática e universal—e que nos desafia com sua asserção: “Pelos seus frutos os conhecereis” (Mateus 7:16).

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quinta-feira, 16 de abril de 2015

Uma nova doutrina!

A nova doutrina cristã inaugurada por Jesus Cristo é sempre acompanhada de provas do poder espiritual.

Conta o evangelho de Marcos que Jesus foi ao templo num sábado para ensinar. Diz o relato que “maravilhavam-se da sua doutrina, porque os ensinava com autoridade e não como os escribas. Não tardou que aparecesse na sinagoga um homem possesso de espírito imundo”  (Marcos 1:22-27) que começou a desafiar e destratar Jesus. Mas o Mestre não perdeu a compostura e ordenou com autoridade ao homem: “Cala-te, e sai deste homem. Então o espírito imundo...bradando em alta voz, saiu dele. Todos se admiraram, a ponto de perguntarem entre si: Que vem a ser isto?” Eles mesmos responderam: “Uma nova doutrina! Com autoridade ele ordena aos espíritos imundos, e eles lhe obedecem!” É! Uma nova doutrina que fala e age com autoridade.

A doutrina de Cristo Jesus era ensinada com autoridade proveniente da Mente divina, da superioridade do Espírito sobre as condições da matéria, do Princípio sobre a desordem, do Amor sobre o medo e o ódio. Os ouvintes de Jesus perceberam imediatamente dois aspectos da doutrina: 1) a autoridade do pregador evidenciada em 2) resultados práticos.

Nos tempos de hoje será que poderíamos dizer que a doutrina CC é uma nova doutrina? Talvez não precisássemos conceituá-la como nova, porque cronologicamente ela tem 2.000 anos. A doutrina da CC é o ensinamento que o Mestre Cristão divulgou em palavras e obras, as quais comprovavam a autoridade espiritual. Somos nós difusores desse “antigo e novo” ensinamento? Para tanto precisaremos mostrar obras feitas com autoridade.

Mary Baker Eddy explica: “Como primeiro ponto na lista dos deveres cristãos, ele [Jesus] ensinou a seus seguidores o poder sanador da Verdade e do Amor” (CeS, p. 31). Com as demonstrações práticas eles puderam mostrar autoridade da nova doutrina e deram o exemplo para nós, os seguidores modernos. Como primeiro dever: curar! Com isso estaremos dando cumprimento à ordem do Mestre, e todo o povo verá a autoridade outorgada pelo Cristo vivo e ativo. No tempo de Novo Testamento o povo era atraído a aproximar-se de Jesus por que via as obras e percebia a autoridade espiritual do ensinamento.

Mas Jesus Cristo não reteve essa habilidade para si. Enviou seus apóstolos e depois outros 70 discípulos para pregarem o evangelho (nova doutrina) por todo oriente, com a ordem de curarem os males entre o povo. O êxito desses enviados é relatado no evangelho de Lucas: “Regressaram os setenta, possuídos de alegria, dizendo: ‘Senhor, os próprios demônios se nos submetem pelo teu nome!’ ” (Lucas 10:17). Nas Escrituras não constam detalhes de como J ensinou a seus seguidores o dom da cura. Pode ter sido em particular, mas sabe-se que foi um ensino eficaz como se vê nos resultados relatados.

No livro texto da Ciência Cristã a autora expõe um capítulo inteiro (A Prática da Ciência Cristã) sobre o método de aplicação dos ensinamentos dessa denominação, explicando como e porque os resultados são palpáveis e visíveis, rápidos e universais. Nesse capítulo ela escreve: “A Mente [divina] tem domínio sobre os sentidos e tem o poder de vencer a doença, o pecado e a morte. Exerce tu essa autoridade [o grifo é nosso] outorgada por Deus. Toma posse de teu corpo e governa-lhe a sensação e a ação...Deus fez o homem capaz disso, e nada pode invalidar a capacidade e o poder divinamente outorgados ao homem” (p. 393, Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras).

Toda e qualquer pessoa que se capacite com essa compreensão da autoridade divina conferida aos homens pode exercê-la em suas atividades—e deveria exercê-la conscientemente para o bem da humanidade.


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quarta-feira, 8 de abril de 2015

O homem reflexo de Deus

Este conceito pode expandir enormemente o ser do homem e o alcance de seu pensamento

Na Ciência Cristã é usual o conceito da natureza do homem como “reflexo” de Deus. A descobridora deste sistema espiritual, Mary Baker Eddy, expõe minuciosamente o conceito em sua obra Ciência e Saúde com a Chave Escrituras. A base do conceito é a descrição da criação do homem (homem e mulher) como relatada no Gênesis: “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (Gênesis 1: 27).

A compreensão espiritual deste fato é um dos pontos altos na doutrina dessa denominação. Para compreender bem a natureza do homem deve-se começar por compreender bem a natureza de Deus; compreender o original para compreender o reflexo ou imagem. O desdobramento lógico de tal premissa leva a concluir que o homem tem, na verdade, uma natureza distinta da figura humana. Esta, aliás, não é a imagem de Deus, o Espírito. Radical! Não? Mas compreensível.

Eddy expõe detalhadamente uma linha de entendimento para compreendermos que o homem é a imagem, o reflexo de Deus, contando, por isso com características refletidas de seu Criador. Temos que cuidar em nosso pensamento para não ficar imaginando que nossa figura humana reflita o Espírito. A ideia de que refletimos Deus, parece muito similar a nos vermos diante de um espelho especial no qual o Pai nos vê.

Para não escorregarmos nessa esparrela de pensar que o corpo humano  físico é semelhante a Deus existe um outro enfoque para entender que o homem é o reflexo de Deus. Vamos pensar em um artista, ou um autor, preparando suas obras-se-arte que mais tarde serão admiradas pela humanidade. É fácil de imaginar um Mozart, ou um Da Vinci trabalhando em seus ambientes e cercados de toda sorte de circunstâncias pessoais, felizes ou infelizes, amorosas ou rancorosas, de saúde ou de doença. Suas obras ficarão invariavelmente marcadas por tais circunstâncias retratando com perfeição ou falhas o momento que atravessava o artista. As obras do artista refletem seu estado de espírito quando compunham uma música ou entalhavam a madeira ou pintavam uma tela. As obras refletem também o estilo do autor, sua aptidão, sua dedicação à arte, sua inteligência no uso dos materiais. As obras não refletem a figura do autor, mas tão somente suas aptidões.

Agora podemos ver o homem, reflexo de Deus, sob outra perspectiva. Não precisamos mais imaginar-nos como semelhantes à “figura” divina, mas sabemos que refletimos o estilo divino de criar: com perfeição, inteligência, sabedoria, força, amor. Refletimos o Pai-Mãe pela perfeição, inteligência, sabedoria, força, amor, saúde com nos criou. Cônscios dessa característica de criação poderemos vivencia-la entre os homens em vidas “sublimes e nobres”.
Eddy esclarece mais um pouco este enfoque. Diz: “Deus modela todas as coisas segundo Sua própria semelhança. A Vida se reflete na existência [vitalidade], a Verdade, na veracidade [honestidade], e Deus, no bem, [excelência] os quais transmitem sua própria paz e permanência” (CeS, p. 516), por isso o homem, no seu verdadeiro ser, é belo, forte, livre, puro e são.

O conceito da reflexão espiritual pode ser expandido. Para isso lançamos mão de algumas colocações de Eddy em Ciência e Saúde. “O universo reflete o poder criador do Princípio divino” (p. 507), e “Deus expressa no homem a ideia infinita...” (p. 258). O homem, reflexo de Deus, vive nesse universo como uma ideia infinita. Que estupenda expansão de nosso ser, e escopo de vida!


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sábado, 14 de março de 2015

“Não foi nada!”

A expressão do título não dever externada superficialmente, mas sim conscientemente.

Uma criança chorando por ter batido o pé ou a mão, com certeza ouvirá da mãe ou do pai a expressão: “Não foi nada!” visando acalmá-la e desviar a atenção do acontecido. Embora não surta maior efeito, tal expressão é melhor do que a fixação no local atingido por meio: “Deixa a mãe ver onde foi! Coitadinho, doeu muito?”

No livro Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, a autora aborda essa questão, citando o caso de uma mãe que “corre para sua filhinha, que pensa ter machucado o rosto ao cair no tapete, e diz, lastimando-se com mais infantilidade do que a criança: ‘Mamãe sabe que te machucaste’. O método melhor e mais eficaz que as mães devem adotar é dizer: ‘Não foi nada! Não te machucaste, e não penses que estás machucada’. Logo a criança esquece a queda e continua a brincar” (p. 154).

Para quem procura aplicar o Cristianismo prático demonstrado por Cristo Jesus, uma situação desagradável talvez evoque a mesma expressão: “Não foi nada!” Não há nada de errado nisso. Mas algum resultado prático só virá à tona se a afirmação for enfaticamente consciente de que a matéria não tem sensação, ao invés de mera repetição verbal. É preciso que siga outra afirmação consciente de que a matéria não tem sensação. Esta afirmação corretiva nem precisa ser audível.

Permitam-me exemplificar o processo; a expressão matemática 2 + 2 = 5 é um erro. Para corrigi-lo temos que apagar o 5 e inscrever no lugar o número 4, para obtermos  a resposta correta. Se apenas apagarmos o “5” sem escrever o número certo, a expressão fica sem ser corrigida e o espaço vazio poderia ser ocupado por outro algarismo incorreto. O mesmo raciocínio é aplicável para expressões errôneas do tipo: 2+2=4,1 ou então: 2+2=50. Não importa para o principio da matemática o quanto o resultado foi desviado da resposta correta. Erro é sempre erro e deve ser corrigido pela verdade. Aliás, não é o matemático quem corrige o erro; é a regra matemática que o faz; a pessoa apenas aplica a regra. Na situação humana ocorre algo semelhante. Uma anomalia, uma dor, são evidencias de algo mau, tal como um resultado mau na matemática. Nesta chamamos isso de erro, e podemos chama-lo assim também na questão humana. Assim o erro tem de ser apagado, o que equivale a negar-lhe realidade, como exemplificado na citação de Eddy acima.

Como vimos no exemplo matemático, depois de apagado o erro, o espaço tem de ser preenchido com a verdade. Na Ciência Cristã esse preenchimento se dá com afirmações da Verdade sobre o homem e sobre Deus, do tipo: Deus é o bem, a Vida, a Verdade, e o homem é a imagem e semelhança de Deus: Deus perfeito e homem perfeito. Esse conjunto de verdades anula o erro no pensamento humano e traz à luz a perfeição, a harmonia, o bem-estar da criação divina na qual está incluído o homem.


Mas é bom saber que a correção do erro é realizada pela Verdade divina no pensamento, não pela pessoa que recorre à Verdade. A cura ou remoção do erro é tarefa que a Verdade divina realiza, e ela o faz de modo irresistível. 

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terça-feira, 10 de março de 2015

Ver o homem perfeito

Tudo o que vemos é o que temos no pensamento

O que o homem vê é orientado pelo seu pensamento. Diversas pessoas olhando o mesmo objetivo veem coisas com destaques distintos. Algumas podem achar lindo o que veem, outras nem tanto, e outras podem até achar feio. Mas se estão vendo o mesmo objeto, porque as diferenças na percepção? É que cada uma pensa a seu modo e interpreta o objeto a seu modo. Poder-se-ia dizer que as pessoas veem o que pensam. Num sonho a pessoa também vê seus pensamentos, e as imagens que vê lhe parecem reais, pois com elas goza ou sofre. Quando o pensamento não acompanha a visão, as imagens dessa visão não despertam qualquer interesse. Uma pessoa absorta em seus pensamentos ou preocupações, fica olhando para algum local mas não percebe o que vê. Nada lhe chama atenção.

No tocante a contatos visuais com outras pessoas passa-se o mesmo fenômeno. Olhamos para elas e vemos aquilo que nosso pensamento dita. Mary Baker Eddy em sua obra Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras ilustra a visão que Cristo Jesus tinha das pessoas e que era totalmente diferente da visão comum. “Jesus percebia [via] na Ciência o homem perfeito que lhe era visível ali mesmo onde os mortais veem o homem mortal e pecador” (p. 476). Porque ocorria isso? O Mestre tinha um pensamento enaltecido a respeito do homem, por isso via um homem perfeito, bom, saudável, amável.

Era com essa visão espiritualizada que ele tratava com as pessoas. Alguém que fosse falar com ele, recebia do Mestre esse olhar sublimado que elevava o ouvinte à condição de sentir-se filho de Deus. Esse filho de Deus era amado por Jesus, e curado, e regenerado. Eddy esclarece um pouco mais sua declaração acima mostrada: “Nesse homem perfeito, o Salvador via a própria semelhança de Deus”, o que acontecia? Ela acrescenta: “E esse modo correto de ver o homem curava os doentes”.

Aí está a receita da cura espiritual ensinada por Cristo Jesus. Quem souber segui-la à risca obterá idênticos resultados em sua vida e na de seus interlocutores. Aliás exercer essa visão espiritual não é coisa difícil, basta (parece pouco?) ter a compreensão da real natureza do homem criado por Deus. Enquanto esta natureza ocupar o lugar de frente em nossa consciência, a nossa visão do mundo será filtrada por esse entendimento espiritual, e assim estaremos vendo o que o pensamento não espiritualizado não consegue ver. Poder-se ia até falar de visão espiritual e cegueira material. Eddy esclarece:”A visão espiritual não está subordinada a altitudes geométricas” (CeS, p. 215).

No livro do Apocalipse lemos que João teve visões da cidade santa, do anjo com um “livrinho aberto”, da “mulher grávida prestes a ter um filho”, ele não estava vendo coisas diante de seus olhos materiais; eram inspirações  e intuições ou revelações que lhe vinham de modo tão claro que pareciam reais.

Assim, quando sabemos que o homem é perfeito e harmonioso, é isso que veremos quando nossos olhos descansarem numa figura humana. Só precisa reconhecer nesse homem perfeito a própria semelhança de Deus, e a obra de cura se realizará rápida e espontânea.


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sábado, 7 de março de 2015

Aceitando a vontade de Deus!

Saber qual a vontade Deus para Seus filhos traz harmonia a nossa vida

O tema da vontade de Deus é muito vasto! Pode suscitar debates prolongados. Mas conhecer o que é a vontade de Deus é por demais importante para não ser abordado seriamente.

Todos os cristãos devotos oram diariamente a Oração do Senhor que é um marco expressivo dos ensinamentos de Cristo Jesus. Nessa oração afirmamos: “Faça-se a Tua vontade” (Mateus 6:10). Talvez nem pensemos o que essa afirmação implica ou requer de nós. Talvez nem estejamos conscientes da profundidade de nossas palavras, se forem proferidas sem acompanhamento de compreensão espiritual. Evocar a vontade de Deus requer que entendamos que isso significa uma disposição de nossa parte: a humildade.

Não raro pronunciamos a oração acompanhando-a com um cortejo de crenças humanas, crenças que nos impedem de alcançar a consciência espiritual que o Pai-Nosso contém e que é o agente espiritual poderoso capaz de nos livrar do mal, dos problemas de toda ordem. Gostaria de considerar duas crenças errôneas muito comuns entre nós cristãos:

1.      Crença errônea: Que Deus envia a doença.
Esta crença errônea está baseada numa ignorância a respeito de Deus. Se compreendermos claramente que Deus é Bom, ou seja, que Ele é o BEM, não diremos que do BEM possa vir algo mau para os filhos e filhas de Deus. Do sol, fonte de luz, emana luz, não trevas; de Deus, a fonte do BEM, emana o que é bom, só e exclusivamente. Essa orientação do pensamento abrange todos os aspectos infinitos da divindade que, sendo boa, forte, inteligente, pura e perfeita, só pode enviar ou emitir o que é bom aos Seus filhos. O mal que presenciamos em nossa vida ou em nossas atividades pode ter várias razões ou origens, e deve ser enfrentado adequadamente, conforme o caso.

O que está sendo combatido aqui é a crença maléfica de que Deus envie a doença. Cabe às pessoas fixarem seu pensamento na direção correta—p.ex, Deus é bom e só envia o bem—para não perderem seu rumo. A crença sob foco tende a criar uma outra crença, a saber: que as pessoas não devam lutar contra a vontade de Deus, e não buscar solução para seus problemas quer sejam emocionais, físicos ou de negócios. Essa crendice desincentiva o cristão para agir no sentido de enfrentar e  resolver seus problemas inclusive de saúde. E por quê? Porque ele tem um receio secreto de que Deus pode ter lhe enviado essa provação para que dê provas do grau de sua fé; ou que Deus lhe enviou esse mal como castigo por algum pecado cometido (quer esteja consciente ou não desse pecado). Tem medo de que enfrentar o sofrimento, a angústia os sintomas por meio da oração que isso poderia ser interpretado como uma rebeldia contra Deus e Sua vontade e assim cair no desagrado divino.

Mas o que dizem as Escrituras: “Eu sou o Senhor que te sara” (Êxodo 15:26).  Essa é uma promessa alentadora das muitas que a Biblia registra.  Se pesquisar no livro que é um companheiro da Bíblica, Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, de autoria de Mary Baker Eddy encontrará o seguinte esclarecimento: “É nossa ignorância a respeito de Deus, o Princípio divino, que produz aparente desarmonia, e compreendê-Lo corretamente restaura a harmonia” (p.390). Nós humanos, não estamos condenados por Deus, nosso querido Pai-Mãe que nos ama e quer o melhor para cada um de nós. Deixe que essa promessa da possibilidade da cura se desdobre gradativamente em sua consciência.

2.      Crença errônea: Que Deus castiga as pessoas
Que Deus castigue as pessoas por terem agido mal é um ledo engano dos mortais. Mas que ninguém se iluda com o pensamento: se Deus não castiga o mal-feito então posso agir como quiser! E nada vai me acontecer!” Tolo engano! O mal que praticamos, consciente ou inconscientemente, traz consigo o próprio castigo, pois a prática do mal sempre está acompanhada de(da exigência de que temos que sair das trevas e ir para a luz.) de um mau resultado.  Pecar, é sinônimo de mal agir? O mal, traz consigo o castigo por um pensamento ou ato pecaminoso. Não é Deus quem castiga; é o mal que se castiga a si mesmo. E por que isso é assim? Para que as pessoas se abstenham de agir mal, ou pecar, ou temer, ou odiar.

Se Deus não castiga o pecado, pode Ele perdoar o pecado? Vamos pensar do seguinte modo: Deus não perdoa o pecado, Ele perdoa o pecador; o pecado precisa desaparecer da vida do homem; e quando isto acontece, o pecador está perdoado, porque o pecado não mais existe. Sem pecado não há pecador; sem pecado não há necessidade de perdão. Assim o pecado, o mal, o ódio, etc devem desaparecer, devem ser destruídos pelo poder do oposto do mal, ou seja, o BEM, que como vimos acima, é a principal característica de nosso Deus-Pai-Mãe.

A graça divina não deixa Deus castigar Sua criação -- o homem, a mulher e a criança -- mas vem ao encontro de cada um de nós para nos redimir do mau-agir, para parar de pecar e nos abster de praticar o mal. Uma vez redimido o homem deixa para trás em seu pensamento toda e qualquer crença errônea a respeito de como Deus age para conosco. Saberá que é amado, amparado, sarado, cuidado e salvo.

Podemos orar em paz e de modo consciente: “Faça-se a Tua vontade” com toda segurança e confiança na ação do todo-poder divino.


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