sábado, 14 de março de 2015

“Não foi nada!”

A expressão do título não dever externada superficialmente, mas sim conscientemente.

Uma criança chorando por ter batido o pé ou a mão, com certeza ouvirá da mãe ou do pai a expressão: “Não foi nada!” visando acalmá-la e desviar a atenção do acontecido. Embora não surta maior efeito, tal expressão é melhor do que a fixação no local atingido por meio: “Deixa a mãe ver onde foi! Coitadinho, doeu muito?”

No livro Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, a autora aborda essa questão, citando o caso de uma mãe que “corre para sua filhinha, que pensa ter machucado o rosto ao cair no tapete, e diz, lastimando-se com mais infantilidade do que a criança: ‘Mamãe sabe que te machucaste’. O método melhor e mais eficaz que as mães devem adotar é dizer: ‘Não foi nada! Não te machucaste, e não penses que estás machucada’. Logo a criança esquece a queda e continua a brincar” (p. 154).

Para quem procura aplicar o Cristianismo prático demonstrado por Cristo Jesus, uma situação desagradável talvez evoque a mesma expressão: “Não foi nada!” Não há nada de errado nisso. Mas algum resultado prático só virá à tona se a afirmação for enfaticamente consciente de que a matéria não tem sensação, ao invés de mera repetição verbal. É preciso que siga outra afirmação consciente de que a matéria não tem sensação. Esta afirmação corretiva nem precisa ser audível.

Permitam-me exemplificar o processo; a expressão matemática 2 + 2 = 5 é um erro. Para corrigi-lo temos que apagar o 5 e inscrever no lugar o número 4, para obtermos  a resposta correta. Se apenas apagarmos o “5” sem escrever o número certo, a expressão fica sem ser corrigida e o espaço vazio poderia ser ocupado por outro algarismo incorreto. O mesmo raciocínio é aplicável para expressões errôneas do tipo: 2+2=4,1 ou então: 2+2=50. Não importa para o principio da matemática o quanto o resultado foi desviado da resposta correta. Erro é sempre erro e deve ser corrigido pela verdade. Aliás, não é o matemático quem corrige o erro; é a regra matemática que o faz; a pessoa apenas aplica a regra. Na situação humana ocorre algo semelhante. Uma anomalia, uma dor, são evidencias de algo mau, tal como um resultado mau na matemática. Nesta chamamos isso de erro, e podemos chama-lo assim também na questão humana. Assim o erro tem de ser apagado, o que equivale a negar-lhe realidade, como exemplificado na citação de Eddy acima.

Como vimos no exemplo matemático, depois de apagado o erro, o espaço tem de ser preenchido com a verdade. Na Ciência Cristã esse preenchimento se dá com afirmações da Verdade sobre o homem e sobre Deus, do tipo: Deus é o bem, a Vida, a Verdade, e o homem é a imagem e semelhança de Deus: Deus perfeito e homem perfeito. Esse conjunto de verdades anula o erro no pensamento humano e traz à luz a perfeição, a harmonia, o bem-estar da criação divina na qual está incluído o homem.


Mas é bom saber que a correção do erro é realizada pela Verdade divina no pensamento, não pela pessoa que recorre à Verdade. A cura ou remoção do erro é tarefa que a Verdade divina realiza, e ela o faz de modo irresistível. 

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terça-feira, 10 de março de 2015

Ver o homem perfeito

Tudo o que vemos é o que temos no pensamento

O que o homem vê é orientado pelo seu pensamento. Diversas pessoas olhando o mesmo objetivo veem coisas com destaques distintos. Algumas podem achar lindo o que veem, outras nem tanto, e outras podem até achar feio. Mas se estão vendo o mesmo objeto, porque as diferenças na percepção? É que cada uma pensa a seu modo e interpreta o objeto a seu modo. Poder-se-ia dizer que as pessoas veem o que pensam. Num sonho a pessoa também vê seus pensamentos, e as imagens que vê lhe parecem reais, pois com elas goza ou sofre. Quando o pensamento não acompanha a visão, as imagens dessa visão não despertam qualquer interesse. Uma pessoa absorta em seus pensamentos ou preocupações, fica olhando para algum local mas não percebe o que vê. Nada lhe chama atenção.

No tocante a contatos visuais com outras pessoas passa-se o mesmo fenômeno. Olhamos para elas e vemos aquilo que nosso pensamento dita. Mary Baker Eddy em sua obra Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras ilustra a visão que Cristo Jesus tinha das pessoas e que era totalmente diferente da visão comum. “Jesus percebia [via] na Ciência o homem perfeito que lhe era visível ali mesmo onde os mortais veem o homem mortal e pecador” (p. 476). Porque ocorria isso? O Mestre tinha um pensamento enaltecido a respeito do homem, por isso via um homem perfeito, bom, saudável, amável.

Era com essa visão espiritualizada que ele tratava com as pessoas. Alguém que fosse falar com ele, recebia do Mestre esse olhar sublimado que elevava o ouvinte à condição de sentir-se filho de Deus. Esse filho de Deus era amado por Jesus, e curado, e regenerado. Eddy esclarece um pouco mais sua declaração acima mostrada: “Nesse homem perfeito, o Salvador via a própria semelhança de Deus”, o que acontecia? Ela acrescenta: “E esse modo correto de ver o homem curava os doentes”.

Aí está a receita da cura espiritual ensinada por Cristo Jesus. Quem souber segui-la à risca obterá idênticos resultados em sua vida e na de seus interlocutores. Aliás exercer essa visão espiritual não é coisa difícil, basta (parece pouco?) ter a compreensão da real natureza do homem criado por Deus. Enquanto esta natureza ocupar o lugar de frente em nossa consciência, a nossa visão do mundo será filtrada por esse entendimento espiritual, e assim estaremos vendo o que o pensamento não espiritualizado não consegue ver. Poder-se ia até falar de visão espiritual e cegueira material. Eddy esclarece:”A visão espiritual não está subordinada a altitudes geométricas” (CeS, p. 215).

No livro do Apocalipse lemos que João teve visões da cidade santa, do anjo com um “livrinho aberto”, da “mulher grávida prestes a ter um filho”, ele não estava vendo coisas diante de seus olhos materiais; eram inspirações  e intuições ou revelações que lhe vinham de modo tão claro que pareciam reais.

Assim, quando sabemos que o homem é perfeito e harmonioso, é isso que veremos quando nossos olhos descansarem numa figura humana. Só precisa reconhecer nesse homem perfeito a própria semelhança de Deus, e a obra de cura se realizará rápida e espontânea.


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sábado, 7 de março de 2015

Aceitando a vontade de Deus!

Saber qual a vontade Deus para Seus filhos traz harmonia a nossa vida

O tema da vontade de Deus é muito vasto! Pode suscitar debates prolongados. Mas conhecer o que é a vontade de Deus é por demais importante para não ser abordado seriamente.

Todos os cristãos devotos oram diariamente a Oração do Senhor que é um marco expressivo dos ensinamentos de Cristo Jesus. Nessa oração afirmamos: “Faça-se a Tua vontade” (Mateus 6:10). Talvez nem pensemos o que essa afirmação implica ou requer de nós. Talvez nem estejamos conscientes da profundidade de nossas palavras, se forem proferidas sem acompanhamento de compreensão espiritual. Evocar a vontade de Deus requer que entendamos que isso significa uma disposição de nossa parte: a humildade.

Não raro pronunciamos a oração acompanhando-a com um cortejo de crenças humanas, crenças que nos impedem de alcançar a consciência espiritual que o Pai-Nosso contém e que é o agente espiritual poderoso capaz de nos livrar do mal, dos problemas de toda ordem. Gostaria de considerar duas crenças errôneas muito comuns entre nós cristãos:

1.      Crença errônea: Que Deus envia a doença.
Esta crença errônea está baseada numa ignorância a respeito de Deus. Se compreendermos claramente que Deus é Bom, ou seja, que Ele é o BEM, não diremos que do BEM possa vir algo mau para os filhos e filhas de Deus. Do sol, fonte de luz, emana luz, não trevas; de Deus, a fonte do BEM, emana o que é bom, só e exclusivamente. Essa orientação do pensamento abrange todos os aspectos infinitos da divindade que, sendo boa, forte, inteligente, pura e perfeita, só pode enviar ou emitir o que é bom aos Seus filhos. O mal que presenciamos em nossa vida ou em nossas atividades pode ter várias razões ou origens, e deve ser enfrentado adequadamente, conforme o caso.

O que está sendo combatido aqui é a crença maléfica de que Deus envie a doença. Cabe às pessoas fixarem seu pensamento na direção correta—p.ex, Deus é bom e só envia o bem—para não perderem seu rumo. A crença sob foco tende a criar uma outra crença, a saber: que as pessoas não devam lutar contra a vontade de Deus, e não buscar solução para seus problemas quer sejam emocionais, físicos ou de negócios. Essa crendice desincentiva o cristão para agir no sentido de enfrentar e  resolver seus problemas inclusive de saúde. E por quê? Porque ele tem um receio secreto de que Deus pode ter lhe enviado essa provação para que dê provas do grau de sua fé; ou que Deus lhe enviou esse mal como castigo por algum pecado cometido (quer esteja consciente ou não desse pecado). Tem medo de que enfrentar o sofrimento, a angústia os sintomas por meio da oração que isso poderia ser interpretado como uma rebeldia contra Deus e Sua vontade e assim cair no desagrado divino.

Mas o que dizem as Escrituras: “Eu sou o Senhor que te sara” (Êxodo 15:26).  Essa é uma promessa alentadora das muitas que a Biblia registra.  Se pesquisar no livro que é um companheiro da Bíblica, Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, de autoria de Mary Baker Eddy encontrará o seguinte esclarecimento: “É nossa ignorância a respeito de Deus, o Princípio divino, que produz aparente desarmonia, e compreendê-Lo corretamente restaura a harmonia” (p.390). Nós humanos, não estamos condenados por Deus, nosso querido Pai-Mãe que nos ama e quer o melhor para cada um de nós. Deixe que essa promessa da possibilidade da cura se desdobre gradativamente em sua consciência.

2.      Crença errônea: Que Deus castiga as pessoas
Que Deus castigue as pessoas por terem agido mal é um ledo engano dos mortais. Mas que ninguém se iluda com o pensamento: se Deus não castiga o mal-feito então posso agir como quiser! E nada vai me acontecer!” Tolo engano! O mal que praticamos, consciente ou inconscientemente, traz consigo o próprio castigo, pois a prática do mal sempre está acompanhada de(da exigência de que temos que sair das trevas e ir para a luz.) de um mau resultado.  Pecar, é sinônimo de mal agir? O mal, traz consigo o castigo por um pensamento ou ato pecaminoso. Não é Deus quem castiga; é o mal que se castiga a si mesmo. E por que isso é assim? Para que as pessoas se abstenham de agir mal, ou pecar, ou temer, ou odiar.

Se Deus não castiga o pecado, pode Ele perdoar o pecado? Vamos pensar do seguinte modo: Deus não perdoa o pecado, Ele perdoa o pecador; o pecado precisa desaparecer da vida do homem; e quando isto acontece, o pecador está perdoado, porque o pecado não mais existe. Sem pecado não há pecador; sem pecado não há necessidade de perdão. Assim o pecado, o mal, o ódio, etc devem desaparecer, devem ser destruídos pelo poder do oposto do mal, ou seja, o BEM, que como vimos acima, é a principal característica de nosso Deus-Pai-Mãe.

A graça divina não deixa Deus castigar Sua criação -- o homem, a mulher e a criança -- mas vem ao encontro de cada um de nós para nos redimir do mau-agir, para parar de pecar e nos abster de praticar o mal. Uma vez redimido o homem deixa para trás em seu pensamento toda e qualquer crença errônea a respeito de como Deus age para conosco. Saberá que é amado, amparado, sarado, cuidado e salvo.

Podemos orar em paz e de modo consciente: “Faça-se a Tua vontade” com toda segurança e confiança na ação do todo-poder divino.


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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Alimentação pura

Relata o livro de Daniel um caso um tanto curioso para o qual eu não tinha uma explicação lógica, a não ser da lógica metafísica. O Rei Nabucodonozor havia conquistado o reino de Israel (aprox. 587 AC) e levou grande parte do povo para o cativeiro babilônico. Entre eles jovens da nobreza. O relato em Daniel dá conta que Daniel e seus amigos Hananias, Misael e Azarias estavam entre os convocados pelo rei para tomarem conhecimento da cultura babilônica para depois assistirem ao rei no palácio. Determinou o rei a ração aos “trainees” das “finas iguarias da mesa do rei” (1:5) do bom e do melhor. Entres essas iguarias, com certeza, havia carnes inclusive carne de porco, proibida aos judeus.

A cerca dessa determinação do rei, Daniel e seus amigos decidiram não desobedecer às leis de seu povo e, assim, pediram ao cozinheiro-chefe designado para eles para que fossem poupados de serem obrigados a comer o alimento para eles proibido. Diante da hesitação do cozinheiro e também medo de ser castigado por desobedecer à ordem do rei, Daniel lhe propôs uma alternativa: “experimenta, peço-te, os teus servos dez dias; e que se nos deem legumes a comer e água a beber. Então, se veja diante de ti a nossa aparência e a dos jovens que comem das finas iguarias do rei...No fim dos dez dias, a sua aparência era melhor; estavam eles mais robustos do que todos os jovens que comiam das finas iguarias do rei”

Uma bela surpresa ao cozinheiro-chefe! Mas eu também sempre me senti surpreso com o resultado, a não ser pela coerência de confiar em Deus. Auxiliaram-me no entendimento as pesquisas recentes de médicos sobre nutrição natural. Uma delas, desenvolvida pelo medico Dr. Gerson (EUA), substituiu alimento normal e comum por alimentação natural. Teve resultados em si mesmo que o livraram de dores de cabeça crônicas. Dizem as pesquisas que os produtos químicos que ingerimos com a alimentação “melhorada” quimicamente acabam por intoxicar certos órgãos que precisam um “esforço-extra” para se purificarem. A alimentação natural com produtos orgânicos alivia o corpo desse “esforço-extra” e a pessoa sente-se, então, melhor, mais aliviada e disposta.

O organismo reage melhor quando nutrido por ingredientes orgânicos, e o que os jovens hebreus experimentaram foi nada menos do que isso: alimentação natural acompanhada de disposição mental de obedecer a Deus. O organismo só podia melhorar e estar em boas condições sob esse regime. O corpo humano na sua constituição e funcionalidade é uma “maquina” perfeita que, apoiada convenientemente por pensamentos elevados funciona bem. Sei agora que uma consciência pura é o melhor apoio ao equilibro do organismo; some-se a isso equilíbrio de conduta moral e sem vícios e o homem não terá o que se queixar da vida.

Para mim, tenho como adequada uma conduta baseada em compreensão espiritual; e quanto à alimentação basta saber o que é bom para o organismo, comer sem preconceitos e preocupações para deixar  as funções do corpo se desenvolverem espontânea e harmoniosamente. Preocupar-se com o que come perturba as funções normais do organismo. Nunca deixe de convidar a sabedoria para vir à mesa. Não haverá exageros nem escassez nem queixas de mau funcionamento.

Adão e Eva simbolizavam os “veganos” (vegetarianos) de hoje, pois viviam num paraíso onde comiam de tudo em estado natural: “De todas as plantas do jardim comereis livremente” (Gênesis 3:2). Também simbolicamente deixaram o terreno paradisíaco e harmonioso porque comeram de coisas proibidas e não acreditaram que elas lhes fariam mal. É assim que funciona na natureza: ela nos provê tudo o que precisamos por meio da flora, mas se não nos satisfazemos com isso vamos buscar mais provisões na fauna e na química, sem saber a que riscos estamos nos submetendo. E quando surgem os problemas recorremos à química para nos aliviar.

Bem faríamos em observar o conselho do Mestre Cristão dado no Sermão do Monte: “Não andeis ansiosos pelo que haveis de comer ou beber... Deus, o vosso Pai, sabe o de que tendes necessidade, antes que lho peçais” (Mateus 6:25, 8). Na natureza nossas necessidades são supridas pelos alimentos naturais (na medida do possível), representando, assim, a provisão divina antes mesmo de ingerirmos alimentos. É assim que nossas necessidades são supridas antes de “pedirmos”.

Mas...cuidado! A alimentação não deve ser encarada como medicina, embora hábitos sadios na alimentação se revertam em condições saudáveis do organismo. Essa crença de alimentação medicinal pode levar na direção oposta de que o jejum também é medicinal. Mary Baker Eddy, em sua obra Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, relata de um caso de seu conhecimento: “Conheci alguém que, ainda criança, adotou o sistema Graham para se curar de dispepsia. Durante muitos anos, ele só comeu pão e legumes e não bebeu nada a não ser água. (Obs. Não é esta dieta parecida com a dos veganos?).  Agravando-se a dispepsia, decidiu que sua dieta devia ser mais rigorosa, e daí por diante não fez mais do que uma só refeição em vinte e quatro horas, refeição que consistia apenas de uma fina fatia de pão, sem água. Seu médico lhe recomendou também que não molhasse a ressequida garganta senão três horas depois de comer. Passou muitos anos penosos com fome e fraqueza, quase sucumbindo de inanição, e finalmente resignou-se a morrer”, única alternativa que os médicos lhe deixaram. Pobre da humanidade! Que se sente enredada com conceitos e crenças materiais, deixando de lado a Ciência do Infinito Sustentador que contém solução para os problemas humanos, inclusive esse aqui relatado. Continua Eddy o relato do caso de dispepsia: depois de ser inteirado de que a morte seria a única alternativa, “foi aí que a Ciência Cristã o salvou, e agora ele goza de perfeita saúde” (p. 221). O que a Ciência espiritual fez por esse homem foi mudar sua forma de pensar sobre o corpo, de uma base material para uma espiritual.

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terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

“Tristeza não tem domínio...”

Sentimento e comoção de pessoas enlutadas podem ser vencidos

Que a tristeza não tenha fim, conforme é decantado na MPB, é o ponto de vista da maioria das pessoas de algum modo envolvidas em casos de luto familiar. Eu preferiria apor um ponto de interrogação na letra da música (“Tristeza não tem fim...”), pois aceitar que o sentimento de tristeza não tenha fim acarreta automaticamente o conceito correlato de que a felicidade tenha fim. Por índole prefiro pensar como permanentes as qualidades boas de origem espiritual. A alegria derivada da Alma, Deus, fortemente ligada à felicidade, é uma qualidade divina expressada pelo homem, na sua identidade de filho de Deus.
  
A Bíblia tem mensagens de consolo para os entristecidos. O profeta Isaías  exortava seus abatidos contemporâneos com a noção de que consolo do Senhor não era distante nem desconhecido: “Como alguém a quem sua mãe consola, assim Eu vos consolarei e em Jerusalém vós sereis consolados” (Isa 66:13). Consolo e conforto é o que uma pessoa de luto precisa, e saber que podemos contar com o consolo de Deus-Pai-Mãe é busca-lo na fonte certa e perene. Quando chegarmos a sentir e perceber que Deus está perto e chegado a nós, já poderemos sentir alguma alegria de origem espiritual.

A tristeza da partida de ente querido, a pesar de justificada humanamente, requer certo cuidado para não ocultar um sentimento de pena de si mesmo, comiseração. Já presenciei casos de extrema tristeza em que a pessoa em prantos dizia: “... e agora quem vai cuidar de mim”. Essa senhora estava com pena de si mesma pois sua vida poderia ficar pior a partir de então, no pensar dela, e por isso chorava desconsoladamente. As pessoas em situação como esta não o fazem de propósito, mas na mistura de sentimentos, muitas vezes, não sabem o que dizer.

Essa questão de contrição e tristeza de alguém é algo que pode significar um crescimento espiritual e psicológico, quando a pessoa reúne suas forças e convicções para enfrentar corajosamente a situação deprimente; e conforme os recursos invocados pode superar a tristeza. O pensamento de separação é o mais forte no sentimento de pesar. Então, se a pessoa conseguir sublimar seus pensamentos para a ideia de que a morte não provocou separação espiritual, que ambos os seres continuam se amando (agora com amor mais sublime) ela pode superar a dor da separação.

No livro Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, a autora, Mary Baker Eddy, coloca um exemplo bastante curioso relacionado ao tema ora apresentado. Diz ela: “Uma mensagem errada, que por engano anuncia morte de um amigo, causa o mesmo pesar que a morte do amigo causaria. Pensas que tua angustia é causada por essa perda. Outra mensagem, que corrige o engano, cura teu pesar, e ficas sabendo que a tristeza fora apenas o resultado de tua crença” (p. 386).

O caso hipotético relatado mostra que a razão do sofrimento e comoção está enraizada na consciência das pessoas. Tão logo a raiz do sofrimento seja transplantada para um terreno mais espiritual, a tristeza perde força no coração e na mente das pessoas em sofrimento. Em permanecendo acesa a ideia de união de coração e mente, a tristeza pode ser vencida. Quer dizer que ela vai esquecer a pessoa que partiu? Não! Quer dizer que a colocou num patamar onde a tristeza é secundária e não pode assumir o controle emocional das pessoas. Contra as emoções edificantes da alegria, do entusiasmo, do ânimo e da felicidade a tristeza não tem vez. O amor que existiu antes continua depois e é responsável pela expressão de eternalidade no universo. Nessa atmosfera não há separação nem dor e aí podemos nos recolher. E poderemos com autoridade dizer com Eddy: “A tristeza não tem domínio sobre a alegria” (CeS, p. 304)


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sábado, 29 de novembro de 2014

Mostre o que você é

No nosso jardim cresceu certa vez uma pequena plantinha por entre os ladrilhos do piso, numa pequena fenda onde se alojara uma semente.  Quando a planta atingiu uns 10cm, deu uma florzinha que permitiu identificar claramente a espécie do vegetal.  Era uma pervinca maior (se  não me falha a memória).  Num canteiro esta espécie alcança uns 50cm, e produz em abundância belas flores coloridas de rosa forte e lilás.

Essa plantinha humilde ensinou-me uma lição de vida.  Ela, nas condições adversas em que se desenvolvera, era quase desprezível se comparada a outras de sua espécie.  Mas ela simplesmente fez o que suas irmãs fizeram: desenvolveu suas qualidades, em vez de ficar resmungando que não recebera condições adequadas para seu crescimento.  Cada plantinha tem a finalidade de ajudar a demonstrar a beleza da criação divina.  Neste universo de criaturas grandes e pequenas, cada uma tem seu nicho e preenche seu propósito.

O homem da criação divina também tem um propósito; existe para revelar a perfeição e permanência da criação de Deus.  Uma pergunta se impõe quando se lê o relato da criação no Gênesis.  Diz no capítulo primeiro (versículo 26) que Deus criou o homem à Sua “imagem e semelhança”- homem e mulher.  Aceitando o que a Bíblia nos ensina sobre Deus, de que Ele é Amor, Verdade, Vida, Espírito, infinito, eterno, todopoderoso, perfeito e bom, como devemos entender a natureza do homem criado à Sua imagem e semelhança?  Com certeza não pode ter características opostas às qualidades divinas; ou seja, não é material, físico, mau, mentiroso, mortal, rancoroso, e assim por diante.

O que aprendi na Bíblia sobre a natureza do homem me faz encarar humildemente os afazeres humanos como quem não tem qualidades próprias derivadas do corpo físico, mas sim derivadas da fonte eterna e criadora – Deus.  Com tal ênfase de vida, não fico a resmungar contra circunstâncias adversas, mas me aplico a expressar do melhor modo possível o propósito que Deus tem para mim, por mais humilde que seja; assim como tem para cada indivíduo.  A regra é universal e vale para todos os seres humanos – homens, mulheres e crianças.

O livro do Gênesis mostra um dos propósitos da existência do homem: Deus lhe deu domínio sobre plantas e animais.  Domínio com inteligência e amor é o que o homem deve exercer.  Isto revelará suas características, como fez a flor entre as pedras.


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quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Cabo-de-guerra: material x espiritual

                        Opostos na consciência humana:
Pendor da carne (matéria)          X            Pendor do espírito (Espírito)
Medicina                                    X            Fé no espírito, C. Cristã
Desagrada ao Pai                        X            Agrada ao Pai
Crime                                         X            Ação do bem
Agitação                                     X             Temperança
Desobediência                             X             Obediência aos Mandamentos
Vaidade                                     X                    Humildade
Ódio                                        X                      Bondade
Inimizade                                X                      Amizade  

O pensamento humano é um palco onde se desenrolam inúmeros papéis teatrais.  O jogo do cabo-de-guerra é uma exemplificação do que se passa no pensamento do homem quando tem que decidir o caminho que quer trilhar. O jogo das duas “forças” não tem empate, um ganha e outro perde. Nosso pendor e nossos interesses ditarão o rumo de nossos passos, e nesse caminho encontraremos ou problemas e sofrimento, ou paz e cura. O gênero humano tem de aprender a identificar as forças às quais se alia no seu viver diário. Esse aprendizado talvez venha através do sofrimento que o pecado, a ignorância, a superstição ou o medo impõem. Ou virá pela suavidade da inspiração/intuição celestial. O bem e o mal, o certo e o errado são opostos que reivindicam a escolha do indivíduo. A indecisão e a dúvida não cooperam para uma definição de que lado atuaremos, mas podem, isso sim, jogar-nos no fosso divisório, como no jogo citado.

É fácil de perceber que nesse embate de opostos não podemos ficar no meio termo, seja por causa da dúvida ou do medo, ou o pretexto de aproveitar-se do melhor desempenho de um ou outro lado, daquele que favoreça nosso interesse predominante. Em nosso pensamento também não podemos, ou devemos, tentar reconhecer aspectos bons e maus como equivalentes em ambos os lados. Se fizermos uma escala de valores e prioridades para a nossa vida, não podemos aí misturar coisas  que se opõem e, talvez, até se anulem mutuamente. Certamente, faremos a escolha de acordo com o que entendemos seja real e bom. Acontece que se nossos conceitos de certo/errado, bom/mau, real/irreal não estiverem bem orientados, podemos acabar atraindo para nossa vivência humana toda sorte de problemas e sofrimentos.

É o que o apóstolo Paulo procurava alertar os Romanos ao se referir ao “pendor do espírito” e “pendor da carne” (ver Rom. 8:5,6) ; um propicia felicidade e outro traz problemas; um dá alegrias o outro tristezas e aflições. O próprio apóstolo passou por experiências  de conflito mental, conforme relatou: “Não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço... No tocante ao homem interior, tenho  prazer na lei de Deus ; mas vejo nos meus membros outra lei...guerreando contra a lei da minha mente” (Rom 7:22,23).

Precisamos definir uma posição ou direção de nossos esforços pois isso definirá a harmonia—ou não—de  nossa existência humana. Sob este aspecto o e estudo cuidadoso da mensagem cristã dada na Bíblia pode ser um forte aliado, posto que as Sagradas Escrituras, do começo ao fim, apresentam exemplos da superioridade do bem sobre o mal, do Espírito sobre a matéria. Optando pela orientação do senso espiritual estaremos fazendo a melhor escolha. Aliás MBEddy faz uma colocação mais drástica. Diz ela em CeS: “Não podemos escolher como trabalhar pela nossa salvação, mas temos de trabalhar da maneira que Jesus ensinou”  (p. 30). As Escrituras contém o ensinamento dele. No Sermão do Monte (ver Mateus 7) o Mestre faz um interessante desafio. “Aquele que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem prudente que edificou sua casa sobre a rocha; e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, que não caiu, porque estava edificada sobre a rocha. E todo aquele...que não as pratica será comparado a um homem insensato que edificou sobre a areia” (Mat. 7:24-26). Precisa ser mais clara a definição de nossa escolha? O que queremos na vida?

 Um pensamento alicerçado em Deus, o bem, a Verdade, não será abalado quando confrontado com as vicissitudes da vida humana e/ou mundana. O Cristianismo e a Ciência Cristã nos dão recursos e reforços espirituais nesse afã de espiritualizar o pensamento. O processo se baseia no princípio de que um erro é corregido  pela verdade exatamente oposta. Por exemplo, na matemática um erro ligado à operação 2 + 2 = 4, (p.ex. 2 + 2 = 5) é corrigido pela expressão que afirma a verdade. No mundo das idéias dá-se algo semelhante. A sabedoria corrige a ignorância, o ódio é corrigido pelo amor, e assim por diante.

Com um exemplo será mais fácil de perceber o desenrolar do processo mental. Suponhamos que alguém esteja lutando com dores de cabeça. Sempre em tais casos conjetura-se sobre prováveis causas da moléstia. Pode-se listar algumas pretensas causas: calor, noite mal dormida, trabalho demasiado, hereditariedade, ressaca, medo, etc. Cada nome desta lista tem uma qualidade oposta que anula o mal.

Calor           <              amenidade (do Amor);
noite mal dormida     <      descanso (no conforto de Deus);
trabalho demasiado     <       força (do Espírito);
hereditariedade   <   meu pai e mãe verdadeiro é perfeito (é Deus, o bem);
medo       <       confiança (fé em Deus).
Inimizade   <   amizade

Em seguida afirmamos que as qualidades que combatem o mal, erro, dor, etc, são permanentes porque pertencem a uma das características da Divindade  superior a qualquer manifestação de mal, e que destroem as evidências do mal com Sua onipotência, onipresença re onisciência. Isso estabelece na consciência o reconhecimento da presença da perfeição vinda de Deus, reconhecimento que oblitera qualquer percepção do mal. Uma vez que a consciência chega a esse ponto, podemos passar um grande “X” ou uma borracha sobre a lista dos males e sintomas; com isto ficamos só com a lista das coisas boas, e uma gostosa sensação de bem-estar que não está ligada ao  corpo físico, mas sim ao nosso pendor do Espírito.

MBEddy diz claramente: ” Mantém o pensamento firme no que é duradouro, no que é bom e no que é verdadeiro, e os terás na tua experiência, na proporção que ocuparem teus pensamentos” (CeS, p. 261). Isso é uma regra de cura que leva vantagem sobre as pretensas forças do mal!

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